Arte/Estadão
Arte/Estadão

Brasileiro vê mais prejuízo que benefício, mas torce por Rio-2016

Pesquisa Ibope revela preocupação com sucesso do evento e pessimismo com legado

Rodrigo Burgarelli, O Estado de S.Paulo

27 de julho de 2016 | 05h00

Os brasileiros estão mais preocupados com o sucesso da organização da Olimpíada do Rio do que estavam com a Copa do Mundo de 2014, mas têm sentimentos mais negativos em relação ao evento deste ano e acham que os Jogos Olímpicos trarão mais prejuízos que benefícios ao Brasil. Os dados são de uma pesquisa do Ibope divulgada com exclusividade pelo Estado. Eles revelam com detalhes o ânimo do País às vésperas do início da competição olímpica. 

Em 2014, antes da Copa começar, 51% dos brasileiros diziam que o mais importante era que o Brasil saísse campeão do torneio de futebol e apenas 24% colocavam a organização do evento no topo das prioridades. Já hoje, a pouco mais de uma semana do início da Olimpíada, esses dois lados se inverteram: 59% querem que os Jogos sejam um sucesso, enquanto só 31% acham que o Brasil estar bem colocado no quadro de medalhas é mais importante.

Toda essa preocupação, no entanto, não significa que a expectativa sobre o legado dos Jogos seja alta. Pelo contrário: enquanto 43% achavam em 2014 que a Copa do Mundo traria mais benefícios ao País e 40% mais prejuízos – um empate técnico dentro da margem de erro da pesquisa –, hoje apenas 32% acreditam que os Jogos Olímpicos serão mais benéficos que custosos, ante 60% que esperam mais prejuízos.

“As pessoas estão preocupadas com a imagem do País no exterior. Na Copa, se a organização não tivesse funcionado e o Brasil tivesse sido campeão, ninguém estaria nem aí. Mas na Olimpíada não é assim”, afirma Márcia Cavallari, CEO do Ibope Inteligência. Uma diferença crucial, segundo ela, é que os brasileiros levam mais a sério a disputa no torneio de futebol. “Na Olimpíada, o clima é mais de integração, união, confraternização, e a população acha mais importante que a organização do evento seja um sucesso”. 

De acordo com Márcia, parte do pessimismo com o legado da Olimpíada pode ser atribuído ao fato de ela ocorrer majoritariamente no Rio. “A percepção de benefício para o País é bem menor do que na Copa, que envolveu várias cidades.”

TEMPERATURA

O Ibope usou uma outra pergunta para medir o ânimo do brasileiro em relação aos eventos. É o chamado “termômetro”: uma escala que vai de “gelado” a “fervendo” é mostrada a cada entrevistado, que deve apontar qual é o seu nível de empolgação com as competições. Quanto mais quente, maior o interesse com o início das disputas.

Nessa escala, os brasileiros que dizem ter sentimentos “frios” em relação à Olimpíada são 48% – o mesmo número, dentro da margem de erro, dos que dizem ter sentimentos “quentes” (47%). Essas proporções, no entanto, eram bem diferentes quando foi organizada a Copa do Mundo. Uma semana antes do início das partidas do torneio de 2014, 58% dos entrevistados estavam “quentes”, e só 39% diziam estar “frios” em relação à competição.

Para Márcia, a tendência é de que o termômetro “esquente” no decorrer da competição, fenômeno que pôde ser observado em 2014. “Após o início da Copa, o lado quente passou para 74%”, afirma. A pesquisa ouviu 2002 pessoas em todo o País entre 14 e 18 de julho. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Moradores do Sudeste são os mais pessimistas

'O Sudeste está mais crítico com tudo', diz CEO do Ibope

Rodrigo Burgarelli, O ESTADO DE S.PAULO

27 de julho de 2016 | 05h00

A baixa expectativa com os Jogos Olímpicos não é exclusiva de nenhum grupo social. Todos os recortes demográficos feitos pelo Ibope mostram resultados parecidos, seja por sexo, escolaridade e renda. A única exceção, no entanto, é o recorte regional. Os moradores do Sudeste são os mais pessimistas em relação ao legado da Olimpíada e os menos empolgados com o início da competição.

Enquanto 52% dos moradores do Norte, Centro-Oeste e Nordeste acham que o evento vai trazer mais prejuízos que benefícios, esse número sobe para 66% entre habitantes das regiões Sul e Sudeste, segundo o relatório da pesquisa do Ibope.

Outro número que exemplifica o mal humor regional com os jogos é o do “termômetro”, que mede o ânimo dos brasileiros em relação ao evento. Só 15% dos entrevistados nas regiões Norte e Centro-Oeste, por exemplo, afirmam estarem “gelados” em referência ao início da Olimpíada. No Sudeste, região onde acontecerá a maior parte das disputas, esse porcentual é de 30% – o maior entre todas as áreas do País.

A situação não é diferente quando é avaliado apenas o benefício à cidade do Rio. A população brasileira se divide pela metade em relação a essa pergunta: 46% acha que a capital fluminense sairá ganhando, enquanto 47% acredita que os prejuízos serão maiores. O resultado, portanto, é um empate, já que está dentro da margem de erro de 2% da pesquisa.

Os moradores do Sudeste são bem mais pessimistas que a média ao responder essa pergunta. 54% afirmaram acreditar que haverá mais prejuízo com a realização dos jogos, e apenas 41% disseram que os benefícios valeriam a pena.

“Uma hipótese para explicar isso é que o Sudeste está mais crítico com tudo. Está mais impaciente e menos intolerante por causa da crise econômica e política. Outra hipótese é a proximidade com o evento, que pode gerar uma impressão de que se está gastando dinheiro público com a Olimpíada que deveria ter ido para a saúde, por exemplo”, explica a CEO do Ibope Inteligência, Márcia Cavallari.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.