Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

Brasileiros desafiam hegemonia africana na maratona

Marílson dos Santos, Paulo Roberto e Solonei Rocha representam o País na prova mais tradicional das Olimpíadas

Gonçalo Júnior e Nathalia Garcia, enviados especiais ao Rio de Janeiro, O Estado de S.Paulo

20 Agosto 2016 | 18h35

A prova mais tradicional da Olimpíada será disputada hoje, às 9h30, e vai encerrar os Jogos do Rio em samba. Com início e fim no Sambódromo, a maratona é democrática ao longo de seus 42,195 quilômetros. Passando pelas ruas do centro e da zona sul do Rio, o percurso pode ser acompanhado de perto (e de graça) em diversos pontos da cidade pela população. Até por isso, o esquema de segurança será reforçado. Não será preciso abrir o bolso para ver o trio brasileiro – formado por Marílson Gomes dos Santos, Paulo Roberto de Paula e Solonei Rocha da Silva – desafiando a hegemonia dos africanos.

Stephen Kiprotich, de Uganda, é o atual campeão olímpico e principal nome. Outros postulantes ao pódio são o queniano Eliud Kipchoge, que venceu seis de sete maratonas na carreira, e Ghirmay Ghebreslassie, da Eritreia. Diante dos adversários, Marílson quer transformar a despedida olímpica no melhor momento da carreira, com a conquista de uma medalha inédita. “Vou me esforçar ao máximo nesta última prova para encerrar minha carreira com a sensação de missão cumprida.” 

Marílson pretende reunir no Rio as lições de suas duas participações anteriores nos Jogos de Pequim-2008 e Londres-2012. Na estreia olímpica, ele estava bem preparado, mas desistiu da prova por não se sentir bem no dia. “Eu podia conseguir um bom resultado, mas não sei bem o que aconteceu e não estava muito bem aquele dia. O clima também prejudicou um pouco. Acabei desistindo”, relembra.

Quatro anos mais tarde, ele viveu uma experiência oposta: se recuperava de uma lesão e a fase de treinos não foi a ideal, mas terminou na 5.ª posição e atingiu a melhor marca de um não africano na prova. “Não consegui fazer um volume suficiente de treinamentos, mas tive um bom resultado. Vou pegar tudo que aprendi nessas duas participações para fazer meu melhor resultado no Rio.”

Aos 39 anos, o fundista garante ter superado a lesão na panturrilha esquerda que o atrapalhou durante a temporada 2015. Antes de viajar ao Rio, o atleta de Brasília também fez um treino de altitude na Colômbia para que a condição física não seja um problema na prova de hoje. Bicampeão da Maratona de Nova York, é o único sul-americano a ter vencido a corrida de rua duas vezes, em 2006 e 2008. No extenso currículo, Marílson ainda tem cinco medalhas em Jogos Pan-Americanos e ganhou três vezes a São Silvestre (2003, 2005 e 2010).

Para depois dos Jogos Olímpicos, os planos são apenas de aposentadoria e mais cuidados com a família. Sua mulher, Juliana dos Santos, também é atleta e disputou a prova dos 3.000 m com obstáculos no Rio, mas acabou eliminada na fase de classificação. O casal tem um filho, Miguel, de cinco anos. “É muito difícil manter o rendimento forte até essa idade. Depois, vou pensar em descansar.” 

RECUPERAÇÃO

Paulo Roberto de Paula ficou quase dois anos sem completar uma maratona em razão de uma série de contusões, voltou em Fukuoka (Japão) em dezembro de 2015 e conquistou o índice olímpico. Sétimo colocado no Mundial de Moscou, em 2013, e oitavo na Olimpíada de Londres-2012, o fundista superou a concorrência interna e representa o Brasil na prova.

Até 2009, ano em que o Rio foi escolhido para receber os Jogos Olímpicos, Solonei Rocha da Silva ainda trabalhava como coletor de lixo em Penápolis (SP). Sete anos depois, forma o trio brasileiro na maratona. A Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) estabeleceu que os atletas que terminassem o Mundial de Pequim, em 2015, entre os 20 primeiros estariam automaticamente classificados. Com o 18.º lugar, assegurou sua vaga. Para afastar as críticas, ele ainda ratificou o posto com o terceiro melhor tempo entre os fundistas do Brasil. Depois de participar de Pequim-2008 e Londres-2012, Franck Caldeira ficou como primeiro reserva.

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'A gente acredita que os brasileiros possam correr bem'

Técnico do Brasil aposta em boa prova dos brasileiros na maratona

Entrevista com

Adauto Domingues, técnico do atletismo brasileiro

O Estado de S.Paulo

20 Agosto 2016 | 18h38

1. Qual é a expectativa de desempenho dos brasileiros na maratona?

A gente espera que seja possível no dia corresponder às expectativas. Maratona é uma prova muito dura porque o desempenho dos adversários é imprevisível, tem a questão do calor, da distância. A gente acredita que os brasileiros possam correr bem, numa faixa de 2h11min até 2h15min. Estava até pensando em 2h10min para o Marilson, mas acho difícil. O calor vai ser excessivo.

2.Como superar a supremacia dos africanos?

O Marilson, no auge, conseguia correr de igual para igual com esses caras. É uma questão de momento. Nossos atletas são talentosos, mas o Quênia tem uma quantidade muito grande de bons atletas. O Paulo e o Solonei já fizeram boas maratonas em campeonatos mundiais. A impressão que passa é que correr bem é só ganhar medalha. A gente espera que eles consigam fazer uma grande prova. 

3.Marilson é quem tem mais chance? 

Eu acho que está aberto, os três estão com marcas muito parecidas, vai depender de quem conseguir se adaptar melhor às condições. O clima tem mudado muito no Rio. 

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