Daniel Varsano/COB
Daniel Varsano/COB

Atletas do Brasil, como Ana Marcela, entram em ação na Europa em fase de preparação para a Olimpíada

A competidora, da maratona aquática, e Vittoria Lopes, do triatlo, vivem a expectativa da retomada nos eventos esportivos

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

04 de setembro de 2020 | 05h03

Os atletas brasileiros estão voltando para as competições após o longo período de ausência de torneios e de dificuldade para treinar por causa da pandemia de coronavírus que paralisou o mundo, inclusive as atividades esportivas. Neste mês, triatlo e maratona aquática terão eventos importantes na Europa. Os competidores aproveitaram as últimas semanas para fazer a preparação em Portugal, onde o Comitê Olímpico do Brasil (COB) montou suas bases para viabilizar o treinamento em um país que soube lidar melhor com a covid-19.

"Nunca um atleta de alto rendimento ficou tanto tempo parado, a não ser por lesão. Então o processo de retomada precisa ser feito com extremo cuidado. Além disso, tem um problema grande de organizar o treinamento até os Jogos Olímpicos. Algumas modalidades estariam entrando em férias se a Olimpíada não tivesse sido adiada. Esse é o enorme desafio, acertar a periodização dos treinamentos", comentou Jorge Bichara, diretor de esportes do COB. Ele foi para Portugal para acompanhar de perto o trabalho dos atletas de diversas modalidades.

Ana Marcela Cunha, esperança de medalha do Brasil em Tóquio na maratona aquática, vai disputar no domingo, 6, sua primeira prova pós-pandemia. Será a Capri-Napoli, a mais tradicional da modalidade. O trajeto no mar tem 36 km e será um desafio enorme. "Eu já competi em 2014 e bati o recorde com 6h24min. Gosto de nadar provas longas e acho que vai ocorrer em um momento importante. Não é só retomada de competição, tem o lado do aspecto mental também. Ajuda a reforçar a cabeça, e depois em seguida teremos mais três provas, de distâncias menores", disse.

Ela ficou três semanas em Portugal e revelou que chegou a fazer 275 km nesse período, a fim de se preparar melhor para a disputa. "A gente tem evoluído super bem. No CT no Brasil tem um equipamento que ajudou durante a quarentena, fizemos um 'nado no seco', e ajudou a manter a forma. Acho que estou recuperada em 90%", comentou a atleta, que não sabe avaliar como estarão suas adversárias. "É difícil avaliar porque não temos muitos dados, não tem gente competindo. Na Europa o pessoal entrou de férias, está retornando essa semana. Essas provas aqui na Europa vão mostrar pra gente como está todo mundo", avisou.

Quem também vai entrar em ação é o pessoal do triatlo, que vai competir neste sábado, 3, na Alemanha. E logo de cara já será a disputa do Mundial, em Hamburgo. Vittoria Lopes será uma das representantes do País no evento e espera mostrar que está em boa forma. "Eu tive um período muito importante nos Estados Unidos, na quarentena, que me ajudou na evolução. Estava em uma cidade pequena, em área de montanha, então dava para treinar de maneira isolada. Isso foi muito bom. Agora tive novo ciclo de treinamento em Portugal e está sendo incrível, com ótimos profissionais que me acompanham no dia a dia", afirmou.

A última vez que Vittoria competiu foi em Wuhan, na China, no Mundial Militar, em outubro. "Por isso estou muito ansiosa pois faz quase um ano sem competir. Não estou pensando muito no resultado em si, mas é um Campeonato Mundial e a expectativa é alta. O foco é ver em que estágio estou neste momento. Só tenho a ganhar e depois quero analisar os dados e manter o foco em Tóquio."

Além de triatlo e maratona aquática, atletas do tênis já estão competindo na Europa e os da vela vão entrar em ação em breve. Para Bichara, é difícil avaliar em que momento estão os atletas nacionais em relação aos adversários. "Conseguimos medir isso nas competições esportivas. Em modalidade que é por tempo, marca ou distância, é mais fácil avaliar tecnicamente em que estágio estamos. Nas outras precisamos de parâmetros. Então temos de usar o histórico de conhecimento dos técnicos sobre os atletas para ter o sentimento de que estamos conseguindo aprimorar as condições de preparação", explicou.

Outras modalidades também estão aproveitando para treinar em Portugal e aproveitar o cenário mais tranquilo no país europeu durante a pandemia de coronavírus. De qualquer forma, no acordo entre o COB e as confederações esportivas nacionais está que os atletas precisam conseguir manter o treinamento quando voltarem ao Brasil. O próprio CT na Barra da Tijuca, no Rio, já está funcionando, mas ainda com restrições. "Existem protocolos de retomada em diversas cidades e vamos avaliar isso semanalmente. Outras ações podem ser necessárias para se manter o que conquistaram em Portugal", concluiu.

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