Fábio Motta/ Estadão
Fábio Motta/ Estadão

'Caio na água lutando pela vida', diz nadadora que ajudou a classificar o Brasil

Equipe brasileira cravou o segundo melhor tempo do dia no 4x50 metros livre

Marcio Dolzan, enviado especial ao Rio, Estadão Conteúdo

09 de setembro de 2016 | 13h35

A equipe brasileira de revezamento 4x50 metros livre (20 pontos) que se classificou à final com o segundo melhor tempo do dia entre as duas eliminatórias disputadas na manhã desta sexta-feira nos Jogos Paralímpicos do Rio contou com grande desempenho de Susana Schnarndorf Ribeiro. Ela pulou na piscina a partir dos 100 metros e entregou a prova para Clodoaldo Silva com o Brasil já em primeiro em sua bateria.

Na saída, Susana vibrou pelo fato de ter feito sua melhor marca em três anos. Sua felicidade, porém, extrapolava qualquer tempo. "Os últimos dois anos foram bem complicados pra mim por causa da minha doença. Eu tive que me superar para me classificar", lembrou a atleta. "Tem um significado diferente pra mim. Não é só uma competição; eu caio na água lutando pela minha vida. É muito importante isso pra mim", afirmou.

Susana sofre de MSA (múltipla falência dos sistemas), uma doença degenerativa a qual foi diagnosticada em 2005. Ela entrou para o paradesporto em 2010, e no Rio-2016, prestes a completar 49 anos de vida, ela disputa sua segunda edição dos Jogos.

Mais do que buscar medalhas, na piscina Susana encontra força. "Geralmente quem tem a minha doença tem uma sobrevida de seis, sete anos. Eu vou completar 12 anos de doença. Isso aqui é a minha vida. É isso que me mantém com certeza", sustentou.

"Quando eu caio na água eu esqueço de tudo. Eu esqueço das minhas deficiências, entre aspas. Eu me sinto em casa. Hoje (sexta-feira) à noite minha filha vai me ver nadar - eu espero nadar -, e eu esperei muito por esse momento. Se eu puder cair de novo na água à tarde eu vou estar explodindo."

A nadadora não está garantida no quarteto que vai disputar a final. Dos quatro que entraram na piscina - além de Susana e Clodoaldo, competiram Talisson Glock e Patrícia Pereira dos Santos -, dois serão substituídos por Daniel Dias e Joana Maria Silva. Susana, porém, não esconde o desejo de voltar à água no início da noite desta sexta-feira.

"Se eu for nadar à tarde a final eu vou ser a pessoa mais feliz do mundo", afirmou. "É uma competição sem igual pra gente. Nunca mais a gente vai ter uma competição assim. É muito bom estar competindo aqui com essa torcida. Ela empurra a gente", declarou a atleta.

Mesmo que não entre na piscina e o Brasil chegar ao pódio, Susana terá uma medalha garantida. O prêmio, porém, é o de menos para ela. "Com a minha história eu consigo inspirar pessoas. Isso vale muito pra mim, mais do que qualquer medalha que eu ganho. Tem gente que eu não conheço que veio me abraçar chorando e falou que parou de tomar antidepressivo por causa da minha história, ou que voltou a caminhar. Isso é importante. Minha missão é essa."

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