Campeão dos 100m, Bolt vence e bate recorde também nos 200m

O jamaicano Usain Bolt conquistou o ourona prova dos 200 metros rasos, na quarta-feira, tornando-se oprimeiro homem a vencer as duas provas mais rápidas doatletismo nos Jogos Olímpicos desde Carl Lewis em 1984. Bolt, cujo pai atribui a velocidade e o poder de explosãodo filho a um inhame típico da Jamaica, concluiu a prova em19,30 segundos (recorde mundial) antes de jogar-se ao chão dealegria. "Sou o número um", disse voltado para as câmeras de TV,batendo no peito e distribuindo beijos para a multidão de 91mil pessoas presente no estádio Ninho de Pássaro. Bolt havia vencido os 100 metros rasos com facilidade nofim de semana, batendo também o recorde mundial. Desta vez, o velocista voltou a fazer piada em seu caminhopara o bloco de medalhas, disparando uma seta imaginária para oalto. Mas pareceu não brincar ao abrir uma grande vantagem naprova dos 200 metros e cruzar a linha de chegada, derrubandopor dois centésimos de segundo o recorde mundial estabelecidopor Michael Johnson, em 1996. Chamando Bolt de o "Super-Homem 2", Johnson -- que estátrabalhando como comentarista para a BBC -- afirmou: "Eu vi asaída dele e pensei apenas: 'Uau!'. Caras assim tão altos nãodeveriam ser capazes de largar dessa forma. Ele usou cada gotade energia. Ele queria bater esse recorde." Nove homens venceram as provas dos 100 e 200 metros em umamesma Olimpíada. Bolt, que completa 22 anos de idade na quinta-feira,sagra-se como herói dos Jogos de Pequim ao lado do nadadornorte-americano Michael Phelps, que conquistou oito medalhas deouro (uma marca inédita). Da mesma forma como os feitos de Phelps no Cubo d'Água,onde ultrapassou a marca de sete ouros de Mark Spitz (de 1972),deixaram os norte-americanos empolgados, as conquistas de Boltalimentaram o orgulho nacional da Jamaica. O corredor alto e magro começou a disputar provas rápidassomente após seu técnico de críquete na escola ter notado avelocidade dele. Pouco depois do triunfo de Bolt, Melaine Walker fez aalegria da Jamaica aumentar ainda mais, levando o ouro nos 400metros com barreiras. PERFOMANCE COLETIVA Enquanto Bolt e Phelps destacam-se individualmente nosJogos (que terminam no dia 24 de agosto), coube à Chinasurpreender o mundo com sua atuação conjunta. Os anfitriões, que no quadro de medalhas ficaram em segundolugar, atrás dos EUA, em Atenas 2004, ganharam 45 medalhas deouro até agora, abrindo uma vantagem aparentemente insuperávelque sublinha sua emergência como uma superpotência olímpica. A marca deve deixar em êxtase o governo comunista do país,para quem os Jogos de 43 bilhões de dólares representam umsímbolo do novo lugar ocupado pela China dentro do cenáriointernacional. O windsurfista chinês Yin Jian abriu caminho para dar a seupaís sua primeira medalha de ouro na vela. Pouco depois, WuJingyu ficou com o ouro em uma das categorias femininas detaekwondo, garantindo um outro dia bem-sucedido para a China. Os EUA estão em segundo lugar com 26 ouros (menos que oprevisto). Já o próximo país a organizar o evento, aGrã-Bretanha, registra a marca surpreendente de 16 medalhas deouro, fazendo desta sua melhor participação em uma Olimpíada.

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