Marcos Arcoverde/Estadão
Marcos Arcoverde/Estadão

Campeão olímpico, Alison “Mamute” já pensa em Tóquio-2020

Em entrevista ao Estado, atleta fala sobre parceria com Bruno Schmidt

Mariana Durão, O Estado de S.Paulo

20 Agosto 2016 | 05h15

Alison e Bruno Schmidt mal comemoraram a conquista do ouro olímpico em casa no Rio-2016 e já estão de olho nos Jogos de Tóquio, em 2020. No dia seguinte à vitória sobre os italianos Paolo Nicolai e Daniele Lupo no vôlei de praia, Alison “Mamute”, ainda sem dormir, conta que a próxima Olimpíada está nos planos e a dupla deve continuar enquanto houver objetivos comuns. “Com certeza (Tóquio) está nos nossos planos”, afirmou, em entrevista ao Estado.

O jogador admite ter se sentiu pressionado pela perda do ouro em Londres-2012 e revela que sua torção no pé acabou virando tática contra os adversários. A seguir, a entrevista.

As personalidades opostas de vocês acabaram se misturando?

Sem dúvida. Ele é um cara totalmente diferente da minha personalidade, mais introvertido, na dele. No gosto musical, na alimentação, no modo de vestir. Eu sou totalmente eclético. A gente se completa porque respeita muito um ao outro. Na quadra, já sou um pouco mais quieto como ele, às vezes. Em outras, ele é mais explosivo, como eu. É um “casamento” de amizade, respeito e, principalmente, confiança.

Quanto tempo vai durar?

O futuro é difícil ver agora. Acabei de ganhar uma final, ser campeão olímpico. Enquanto o time Alison e Bruno tiver a mesma mentalidade e vontade de vencer, vamos continuar juntos.

Tóquio está nos seus planos?

Com certeza.

E a vida pessoal?

Vou casar ano que vem. Esse casamento ficou famoso.

Por causa da Gisele Bündchen? Ela te cumprimentou pela vitória? (A noiva de Alison, Tatiana Tristão, foi assunto quando ele elogiou a beleza da modelo na abertura da Rio-2016)

Exatamente, a Gisele. Não. Quem me dera (risos).

Você jogou no sacrifício após torcer o tornozelo na 1ª fase?

Meu nome poderia ser Alison Conte Cerutti Superação. Tive tantas dificuldades na minha carreira, seja fisicamente, dentro ou fora de quadra. A lesão de agora não foi séria, mas foi uma torção. Joguei medicado e usei a bota como proteção. No jogo (contra a Itália, na fase de grupos) senti muita dor. Depois, não senti mais nada. Foi até bacana porque usando a botinha tirei um pouco da pressão sobre o Bruno, por estar na primeira Olimpíada. A Espanha, jogo em que fiz mais pontos (37), sacou só uma bola nele. Foi uma tática (risos).

Como vê a proibição de manifestações políticas e religiosas nas arenas?

Não discuto política, religião e futebol. Cada um tem sua opinião. Política e religião não têm nada a ver com Olimpíada. Tenho a minha religião, a minha visão sobre o País, mas não preciso convencer ninguém.

Como foi a véspera da final?

Treinamos das 23h à meia-noite, perto do horário da final. Conversamos muito com a psicóloga e a equipe. Falei que a gente tinha que se divertir, aproveitar o momento, a torcida. Que já éramos medalhistas olímpicos e marcamos o nosso nome na história.

Você se sentiu pressionado?

Dentro de mim, eu era o atleta mais pressionado dessa Olimpíada. Eu perdi uma medalha de ouro (em Londres-2012) e as perguntas sempre eram as mesmas: será que vem o ouro agora? Vai existir um time como Ricardo e Emanuel?

O que muda com o status de campeão olímpico?

A gente entra para um grupo seleto de atletas que têm a responsabilidade de fazer evoluir o esporte no Brasil. Como medalhista olímpico de ouro viro referência no vôlei de praia ao lado do Bruno, Ricardo, Emanuel, Sandra e Jackeline.

O mergulho no mar com a torcida já tem data? (Alison prometeu mergulhar se fosse campeão)

Ainda não, pois eu nem dormi ainda (risos).

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