Felipe Rau
Felipe Rau

Canoagem do Brasil corre contra o tempo

Equipe classificada no K4 1000 m herdou vaga da Bielorrússia, suspensa por doping

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

23 de julho de 2016 | 07h00

Com a vaga olímpica confirmada apenas na última segunda-feira por causa da suspensão da Bielorrússia por doping, a equipe de caiaque na canoagem velocidade (K4 1000 m) tenta recuperar o tempo perdido. A alegria pela vaga inesperada convive com a apreensão para acelerar o treinamento faltando pouco mais de 15 dias para os Jogos.

“Quando recebei a notícia, eu nem acreditei. Eu treinava, mas com outro foco, estava praticamente de férias. Vamos fazer um intensivão para conseguir a melhor preparação possível”, diz Celso Oliveira.

Além de Celso, foram pegos de surpresa os canoístas Roberto Maehler e Vagner Souta. Nesta semana, o grupo se juntou à Gilvan Ribeiro, que já estava classificado no K2 e, por isso, treinava normalmente na raia olímpica da USP. Foram praticamente três meses perdidos entre a disputa do Torneio Pré-Olímpico e o anúncio oficial da eliminação dos russos.

A corrida contra o tempo, no entanto, esbarra em problemas logísticos. No treinamento de ontem, por exemplo, a embarcação com quatro assentos ainda não havia chegado de Curitiba, onde se localiza a sede da canoagem brasileira. Com isso, os atletas usaram apenas embarcações individuais (K1) ou em dupla (K2). O barco deve chegar hoje. A letra “k” significa caiaque (o outro tipo de embarcação é canoa, identificada pelo “c”) e o número indica os participantes de cada prova. No caiaque, o atleta rema sentado com um remo de duas pás.

Celso explica que o grande desafio será aperfeiçoar a velocidade, aproveitando o entrosamento – o time é praticamente o mesmo dos últimos torneios.

Para Gilvan Ribeiro, o tempo perdido terá influência direta nos resultados. O objetivo inicial da equipe é se classificar para a final olímpica. O melhor resultado olímpico da canoagem foi alcançado nos Jogos de Atlanta-1996. Sebastian Cuattrin conseguiu o 8º lugar no K1. “(A indefinição) prejudicou bastante a preparação. Será uma luta contra o tempo”, diz o atleta, que terá de dividir o treinamento entre o K2 e o K4. “O foco principal está no K2”, diz.

O Brasil herdou a vaga dos bielorrussos devido ao resultado conquistado no Campeonato Mundial de 2015, realizado em Milão, na Itália. Na ocasião os brasileiros ficaram na 5ª posição. Além do Brasil, a Itália também conquistou o lugar da Romênia nas mesmas condições. A canoagem de velocidade terá a maior delegação de sua história, com oito atletas: Ana Paula Vergutz, Edson Silva, Gilvan Ribeiro, Roberto Maehler, Celso Oliveira, Vagner Souta, Erlon de Souza e Isaquias Queiroz, os dois últimos são as maiores esperanças de medalha.

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