Lukas Schulze / Reuters
Lukas Schulze / Reuters

Capitão do time de futsal exerce liderança e brilha nos Jogos Olímpicos da Juventude

Daniel Junior, técnico da seleção, afirma que a escolha foi natural: 'tem uma personalidade que todo mundo respeita'

Paulo Favero, enviado especial / Buenos Aires, O Estado de S.Paulo

19 Outubro 2018 | 14h12

Ele mesmo se apresenta como Neguinho. No registro, é João Victor Alves Sena. Para os amantes do futsal, é o camisa 6 da seleção brasileira, incansável e extremamente técnico. O capitão da equipe que ganhou a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos da Juventude, em Buenos Aires, é um exemplo para seus companheiros.

Jogador do Corinthians, ele sabe que o esporte pode ajudar a mudar sua realidade de garoto da periferia e que convive diariamente com todo tipo de problema. "Sou do Itaim Paulista, na zona leste de São Paulo. De família muito louca, você entende. Minha mãe paga o aluguel, mas não vem ao caso. Graças a Deus saímos vitoriosos", disse o garoto de 18 anos.

Em quadra, a seriedade dele chama a atenção. Às vezes, é tanta entrega que precisa ter sua atenção chamada pelo treinador para retomar o foco. Em Buenos Aires, Neguinho foi fundamental para ajudar o Brasil na conquista do ouro, inédito, pois o futsal entrou pela primeira vez no programa olímpico.

"O professor falou para nós que poderíamos entrar para a história. E agora estou emocionado porque é tudo pela minha família, ela é tudo que tenho, sempre meia apoia. Graças a Deus saímos vitoriosos", afirmou. "É um sonho desde criança servir o Brasil, ainda mais ser campeão na primeira vez do futsal numa Olimpíada. É uma conquista inédita e estar nesse grupo é gratificante, não tenho palavras", continuou.

Ele era jogador no futebol de campo e apenas neste anos optou por jogar mais no futsal. E a mudança deu muito certo. "Em quatro campeonatos que disputei esse ano, fui campeão em todos", comentou. Por isso a pressão pelo ouro não tirou seu sono. "Já estamos acostumados, pois estamos vindo de jogos difíceis lá em São Paulo. Fui campeão paulista, da Taça Brasil, do Sul-Americano, então a pressão é normal."

Para o técnico Daniel Junior, a escolha do garoto para ser seu capitão foi natural. "O Neguinho tem uma personalidade que todo mundo respeita. Ele não é muito de falar, é meio quieto, mas quando fala todo mundo escuta. Ele tem uma liderança técnica, é um jogador que não desiste nunca, que empurra o time. Mesmo sendo irregular em alguns momentos, teve uma liderança enorme", disse.

O treinador que comandou o time campeão olímpico ao bater a Argentina na semifinal e a Rússia na final vê uma boa perspectiva para o atleta. "Provavelmente ele estará jogando no ano que vem no adulto do Corinthians. Ele tem uma fortaleza mental muito grande. E ele merece pela história de vida que tem, uma história pesada que ele vem buscando superar", explicou.

 

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