Ale Cabral / COB
Ale Cabral / COB

Cátia Oliveira trocou as chuteiras pelas raquetes e conquistou sua primeira medalha paralímpica

Mesa-tenista já tinha feito história ao conseguir ser finalista do Mundial, em 2018

Caio Possati, Especial para o Estadão

29 de agosto de 2021 | 05h00

Na madrugada de quinta para sexta-feira, a família de mesa-tenista Cátia Oliveira trocou a noite de sono para acompanhar a vitória da brasileira por 3 sets a 0 contra a italiana Giada Rossi, pelas quartas de final da Paralimpíada de Tóquio nas classes 1-2, destinada a atletas cadeirantes. Como a partida não estava sendo televisionada, precisaram recorrer a um aplicativo que ficava atualizando as informações do jogo em tempo real. O esforço valia a pena a vitória era a garantia de que Cátia voltaria do Japão com uma medalha no peito, já que o tênis de mesa não tem disputa de terceiro lugar.

A vaga na final e a medalha de ouro, porém, já não são mais possíveis para a brasileira. Na semifinal, disputada na manhã deste sábado, 28, Cátia perdeu para a sul-coreana Su Yeon Seo por 3 sets a 1 e ficou com o bronze. É a primeira medalha paralímpica da atleta de 28 anos, que começou a disputar a modalidade depois de sofrer um acidente de carro que a deixou tetraplégica, aos 16 anos.

Nascida em Cerqueira César, interior de São Paulo, Cátia já mostrava gosto pelos esportes desde a infância e tnha o sonho de ser jogadora de futebol profissional. Na adolescência, começou a se destacar nos gramados. No dia em que foi convocada para disputar o mundial Sub-17 com a Seleção Brasileira,  sofreu um  acidente que tirou o movimento de suas pernas.

Tetraplégica, Cátia precisou interromper a promissora carreira no futebol e passou a praticar o tênis de mesa à convite de uma amiga. Em 2015, ela já estava no Canadá recebendo a medalha de ouro nos Jogos Parapan-Americanos de Toronto.

Cátia entrou para história do tênis de mesa brasileiro em 2018, quando conseguiu chegar à final do Torneio Mundial na Eslovênia. Contudo, quando derrotou a italiana Giada Rossi na semifinal, o pai da mesa-tenista, Flávio Alves, teve uma parada cardíaca ao se emocionar pela vitória da filha. Alves foi levado ao hospital, mas não resistiu e faleceu no dia da decisão aos 47 anos. 

Antes da partida, todos os atletas do torneio fizeram um minuto de silêncio em homenagem à memória do pai da brasileira. Depois da final, vencida pela sul-coreana Su Yeon Seo, Cátia subiu no pódio para receber a sua medalha de prata e homenagear o pai. Flávio era um dos maiores incentivadores da carreira da filha e tinha o hábito de colocar as medalhas na mesa-tenista depois das competições em que ela saía premiada. 

Hoje, ele não poderá repetir o gesto com a primeira medalha paralímpica da filha. Para conseguí-la, Cátia precisou derrotar a finlandesa Aino Tapola (por 3 sets a 1), e a italiana Giada Rossi nas quartas de final. Apesar da derrota para a sul-coreana Su Yeon Seo na semifinal, a participação da mesa-tenista não se encerrou em Tóquio. Ela permanece no Japão para as disputas em equipes, que começam na próxima terça-feira, 21.

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