Miriam Jeske/CPB
Miriam Jeske/CPB

Caubói de Ouro: conheça o imparável Fernando Rufino, campeão paralímpico na paracanoagem

Canoísta é conhecido por ser de aço por conta da série de acidentes que já sofreu na vida

Caio Possati, Especial para o Estadão

04 de setembro de 2021 | 18h55

O apelido que Fernando Rufino carrega é o de “Caubói de Aço”. Mas a medalha que ele vai trazer de Tóquio é de ouro. Na madrugada deste sábado, 4, no penúltimo dia da Paralimpíada 2020, o brasileiro venceu a final da paracanoagem nos 200m VL2 e se sagrou campeão paralímpico fazendo o melhor tempo da história da prova (53s077).

Aos 36 anos, Rufino fez a sua estreia em jogos paralímpicos na Paralimpíada do Japão. Ele estava escalado para participar das provas no Rio de Janeiro em 2016, mas foi cortado devido a problemas cardíacos. Fernando dedicou a medalha conquistada em Tóquio aos brasileiros que perderam parentes pela covid-19. “Este ouro é uma forma de alegrar o povo. O brasileiro é um povo lutador e vibrou comigo”, disse Fernando depois da prova.

Foram necessários quase dez anos de treinos e competições para o sul-mato-grossense de Itaquiraí chegar ao topo do pódio paralímpico. Ele começou a trajetória na paracanoagem em 2012, sete anos depois de sofrer o acidente de ônibus que tirou o movimento das suas pernas. Até então, Rufino jogava futebol e montava touros em rodeios, e ter uma carreira como peão era o principal objetivo do canoísta na vida.

Em 2005, porém, quando voltava para casa de ônibus, a porta do veículo se abriu e ele foi arremessado para fora do veículo. Na tentativa de voltar para o interior do ônibus, Fernando acabou caindo e sendo arrastado por mais de 100 metros pela rua. O episódio lesionou a sua coluna e o Caubói não pode voltar a andar como antes. 

Esse não foi nem o primeiro e nem o último acidente grave que ele já sofreu. Um ano depois de ser atropelado pelo ônibus, Rufino sofreu um acidente de moto com um amigo que resultou em um fêmur quebrado. No mesmo ano, ele foi atingido por um raio dentro da própria cozinha. A coleção e a fama de acidentado precede o episódio do ônibus. Quando ainda era peão e montava em rodeios, teve o rosto pisoteado por um touro que quebrou o maxilar do canoísta.

Caubói de ouro

Depois de perder parcialmente o movimento das pernas, Fernando teve o apoio dos pais durante a reabilitação. Em entrevista à rádio Jovem Pan, Rufino conta que seu pai chegou a montá-lo em um cavalo e até colocá-lo para nadar durante a recuperação.

Reabilitado, o Cowboy de Aço procurou se dedicar aos esportes. Não teve sucesso no arremesso de peso, e partiu para outra modalidade que também exigia força nos braços.

Começou na paracanoagem com a ajuda do treinador Ademir Arantes, a quem Rufino declara ter sido fundamental para o sucesso esportivo. Os bons resultados, contudo, não vieram de forma tão rápida. No primeiro Campeonato Brasileiro, em 2012, ficou em sexto na prova de 500m na categoria V1 (canoa) 500m, e conseguiu a segunda colocação nos 200m no caiaque.

Treinando nas águas do Rio Paraná, o canoísta evoluiu. Em 2014, no Mundial de Moscou, ele chegou a ficar na segunda colocação na categoria K1 100m KL2, disputada; e foi bronze na mesma prova no Mundial da Itália, disputado em Milão, no ano seguinte. 

Em 2019, garantiu o passaporte para os Jogos de Tóquio depois de ficar em sexto no Mundial da Hungria, no mesmo país onde Fernando venceu dois ouros na Copa do Mundo em Szeged, em maio deste ano.

Com ouro e recorde da prova, Rufino se encontra em uma das melhores fases da carreira de atleta. “Agora estou aqui com uma medalha que todos querem, é muito emocionante. Isso me faz pensar em cada pessoa sem oportunidades, mas que estão tentando dar o seu melhor”, declarou o canoísta.  

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