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CBF pode ajudar Rio-2016 a controlar doping durante os Jogos

Entidade deve oferecer sua estrutura caso LBCD continue descredenciado

Marcio Dolzan, O Estado de S. Paulo

01 de julho de 2016 | 07h00

Na iminência de não poder contar com o Laboratório Brasileiro de Controle de Dopagem (LBCD) para a realização dos exames antidoping durante a Olimpíada, o Rio-2016 poderá receber uma ajuda caseira no caso de ter que enviar as amostras ao exterior. A CBF oferecerá sua estrutura de controle de dopagem, que conta com cerca de 400 profissionais, para auxiliar na coleta e transporte das amostras. Todos os exames antidoping dos campeonatos organizados pela entidade são enviados a laboratórios dos Estados Unidos ou Suíça há cinco anos.

Na próxima terça-feira, o presidente da Comissão de Controle de Dopagem da CBF, Fernando Solera, irá a Brasília para encontro com o novo chefe da Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem (ABCD), Rogério Sampaio. "Vou lá para falar uma coisa: tenho equipe de coleta, equipe que transporta, documentos, tudo o que você precisar. Pode contar com a CBF", afirmou Solera, ao Estado.

"Estamos nos dispondo a ajudar na Olimpíada e depois da Olimpíada. A CBF é a casa do futebol, mas antes disso é a casa do esporte. É uma empresa que trabalha com o esporte. Então, se tem algum segmento do esporte precisando, nós temos que ir junto. Sem custo, sem cobrar, sem querer cargo, sem querer se aproveitar de nada", disse o dirigente, que é médico e atua com reconhecimento da Fifa.

A CBF conta com cerca de 400 profissionais especializados em doping em todos os estados do Brasil. "Nossa cadeia de custódia é tão segura que ela é feita exclusivamente por médicos. A partir do momento que a urina sai do jogador lá no campo, ela chega aos EUA sempre passando pela mão de médicos que trabalham no doping", explicou Solera.

A equipe dele viaja a cada duas semanas para Los Angeles, para onde são levados os exames antidoping dos campeonatos nacionais organizados pela CBF. O processo começou em 2011, após problemas em amostras analisadas pelo Ladetec, então o laboratório brasileiro autorizado pela Agência Mundial Antidoping (Wada, na sigla em inglês).  Naquele ano, houve resultados de "falsos positivos" nos exames dos jogadores Pedro Solberg, do vôlei de praia, e de Deco e Carlos Alberto, do futebol.  Os erros acabaram culminando no descredenciamento do Ladetec.

Sem um laboratório no País, Solera foi à Fifa pedir orientação. A entidade sugeriu que os exames fossem encaminhados ao laboratório da Universidade da Califórnia (UCLA) ou de Lausanne, na Suíça. O laboratório americano acabou tendo a preferência da CBF, que firmou contrato de parceria.

LBCD

Mesmo com a inauguração do novo laboratório brasileiro de controle de doping, no ano passado, a CBF manteve a rotina de enviar seus exames para o exterior. O motivo: é mais barato enviar as amostras para o exterior do que pagar para fazer as análises no LBCD, que, assim como a CBF, fica no Rio de Janeiro.

"Até hoje não consegui preço (mais barato) com o laboratório brasileiro. O preço deles é bem mais alto do que o nosso nos Estados Unidos, bem mais alto do que o laboratório na Suíça", afirmou Solera.

Segundo ele, os exames realizados nos Estados Unidos custam 135 dólares (R$ 434), enquanto que na Suíça está próximo de 140 francos (R$ 461). No LBCD, cada amostra analisada custa mais de R$ 900.

O próprio médico avaliou que não há como o laboratório brasileiro reduzir o preço. "Todos os insumos, todos os reagentes são importados. Todas as máquinas são importadas. Se acender uma luz verde, mas deveria ter acendido uma luz azul, tem que vir um técnico americano para cá. Não existe como a gente competir em preço. Eles estão cobrando o que precisam cobrar", reconheceu Solera.

"Eu tentei (fazer no LBCD), por uma questão de brasilidade, por uma questão de estar mais próximo, de estar aqui mesmo, e até mesmo porque a CBF preferia que a gente trabalhasse com um laboratório brasileiro. É uma vontade do presidente (Marco Polo Del Nero). Ele quer isso, mas desde que se tenha preço e qualidade. Eu tenho quase cinco mil amostras por ano, é muito alto o valor", sustentou.

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