CBF vê falta de interesse de Kaká por Olimpíada, dizem fontes

Jogador não teria insistido com o Milan para ser liberado para jogar em Pequim no mês de agosto

Rodrigo Viga Gaier e Tatiana Ramil, Reuters

19 de maio de 2008 | 19h48

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) reagiu com irritação ao veto do Milan em ceder Kaká para os Jogos Olímpicos de Pequim e enxergou uma eventual falta de interesse do jogador em disputar o torneio, segundo fontes. Sem Kaká, a seleção perde um referencial dentro de campo, dizem especialistas. Resta ao técnico Dunga encontrar um meia capaz de levar a bola ao ataque com rapidez e objetividade. Fontes da CBF afirmaram que o melhor jogador do mundo em 2007 não teria insistido com o clube italiano para ser um dos três atletas acima de 23 anos em Pequim. "Alguns jogadores não têm mais apego ou apreço pela seleção brasileira. Perderam a identidade com o Brasil. Para eles, a seleção brasileira é indiferente. A verdade é uma só: eles não querem ou não fazem mais questão de jogar pela seleção brasileira", disse uma fonte, que pediu anonimato. Uma outra fonte foi mais contundente. "Você acha que o maior jogador do mundo não tem moral para entrar no gabinete do diretor para pedir para jogar? Não tem é interesse", disse. A última competição oficial que Kaká disputou pelo Brasil foi a Copa do Mundo de 2006. No ano passado, ele pediu dispensa da Copa América numa carta enviada à CBF que acabou exposta no site da entidade, o que gerou reclamação do jogador. Kaká alegou cansaço e necessidade de férias para não disputar a competição na Venezuela, assim como Ronaldinho Gaúcho. Na última quinta-feira, o técnico da seleção brasileira, Dunga, antecipou a convocação de Kaká para a Olimpíada, numa aparente tentativa de pressionar o jogador a convencer seu clube a liberá-lo para a competição de agosto. No entanto, o Milan divulgou nota em seu site no domingo afirmando que não vai ceder o atleta, mesmo após o time ter ficado de fora da próxima Liga dos Campeões da Europa. Apenas Alexandre Pato e Digão, irmão de Kaká, ambos com menos de 23 anos, estão liberados para jogar em Pequim. A assessoria de imprensa de Kaká informou que "no momento ele não vai falar" sobre o veto do Milan. No passado, o meia-atacante manifestou desejo de buscar o ouro olímpico inédito para o Brasil no futebol. A ausência de Kaká deve ser bastante sentida pela seleção dentro de campo. Para o tetracampeão mundial Mario Jorge Zagallo, ele é um atleta insubstituível. "Ele é um jogador inteligente. Quando pega a bola vai em direção ao gol e se mexe muito. É um jogador que todo treinador gosta. No momento ele é insubstituível mesmo para a principal, imagine para a olímpica?", comentou Zagallo. "É claro que eu gostaria de ver o Kaká jogando a Olimpíada, mas é um direito que o clube tem", acrescentou o ex-técnico da seleção brasileira, deixando de lado a defesa que sempre costuma fazer da seleção acima de qualquer outro interesse. O capitão do tricampeonato, Carlos Alberto Torres, citou Thiago Neves (Fluminense), Hernanes (São Paulo) e Diego (Werder Bremen) como jovens que podem atuar no lugar de Kaká, mas alertou que o jogador do Milan "pode fazer falta". O Milan não é o único clube a vetar a participação de seus atletas nos Jogos Olímpicos. O Bayern de Munique informou que não cederá o brasileiro Lúcio e o argentino Martín Demichelis. Porém, o astro argentino do Barcelona Lionel Messi conseguiu acordo com o time espanhol e anunciou este mês que disputará os Jogos de Pequim.

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