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Matt Slocum|AP
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Cerimônia de abertura ocorrerá sob tensão pelo crescimento das infecções em Tóquio

Situação é delicada: governo metropolitano confirmou na quarta-feira 1.832 novos casos de covid-19, o maior registro para um único dia desde 16 de janeiro

Raphael Ramos, enviado especial/TÓQUIO , O Estado de S.Paulo

Atualizado

  Matt Slocum|AP

Com um ano de atraso por causa da pandemia e forte rejeição popular, Tóquio abre oficialmente nesta sexta-feira os Jogos Olímpicos às 8h (horário de Brasília) sob o temor de uma possível explosão de casos de covid-19 na cidade. Nos dias que antecederam a cerimônia de abertura, a capital japonesa viu a média móvel de infecções pelo vírus crescer mais de 55% em relação à semana anterior, mesmo com a cidade em estado de emergência. Globo, Bandnews e SporTV mostram a cerimônia ao vivo.

Apesar das constantes ameaças de cancelamento, o governo japonês e o COI (Comitê Olímpico Internacional) garantiram a realização do evento em meio à pandemia com várias alterações em relação ao planejamento inicial. A principal delas é o veto à presença de torcedores nas competições em Tóquio e outras províncias, algo inédito na história olímpica.

Esse ponto, inclusive, é um dos catalisadores do movimento de oposição aos Jogos entre os moradores da capital japonesa, como conta Emi Ohno Kibe, de 20 anos. “Muitos criticam o governo por decretar estado de emergência, impedir que as pessoas possam ingerir bebida alcoólica nos bares depois das 7 da noite, mas permitir a realização da Olimpíada com milhares de pessoas vindas do exterior.

Sem contar que a proibição de torcida nas arenas acabou gerando ainda mais confusão, porque é válida somente para os Jogos. Eu, por exemplo, fui em uma partida de beisebol do campeonato local no fim de semana com a presença de torcedores nas arquibancadas”, diz a estudante de administração da FGV, que trancou a faculdade no Brasil há três meses para morar em Tóquio, onde atualmente faz estágio em uma empresa de energia renovável.

A realização da Olimpíada virou motivo de preocupação até para a OMS (Organização Mundial de Saúde), que reconheceu na quarta-feira não ser possível reduzir o risco de disseminação do coronavírus a zero durante o evento. Para a entidade, o rígido protocolo definido pelos organizadores será “colocado à prova” durante o torneio.

A situação da pandemia em Tóquio é delicada. O governo metropolitano confirmou na quarta-feira 1.832 novos casos de infecções, no maior registro para um único dia desde 16 de janeiro. Em comparação com a quarta-feira da semana anterior, a contagem diária aumentou em 683 casos.

Especialistas em saúde pública alertam que, se o vírus continuar a se espalhar no ritmo atual, as infecções diárias na capital poderiam atingir um recorde de cerca de 2.600 em agosto, durante a Olimpíada.

Com pouco mais de 15 mil mortes desde o início da pandemia, o Japão foi um dos países que melhor controlaram a disseminação da covid-19. Mas somente cerca de 23% dos japoneses estão totalmente vacinados, e o temor é de que a Olimpíada possa colocar a população que ainda não foi imunizada em risco. Outro fator que pode contribuir para o aumento de casos no Japão é o início das férias escolares de verão.

Pesquisa divulgada nesta semana pelo jornal Asahi Shimbum, um dos mais importantes do país, revelou que 70% dos japoneses não acreditam que os Jogos serão disputados com segurança em relação ao controle da pandemia. Os números ajudam a explicar a falta de entusiasmo com o maior evento esportivo do planeta pelas ruas de Tóquio, onde não se vê muitas menções à Olimpíada.

“Para falar a verdade, eu até tinha me esquecido que ia ter Olimpíada aqui. Definitivamente esse não é um assunto entre os meus amigos”, diz Emi.

Entre os atletas, a covid-19 continua fazendo baixas. Os três que testaram positivo mais recentemente foram a holandesa Candy Jacobs, do skate street, o americano Taylor Crabb, do vôlei de praia, e a britânica Amber Hill, do tiro, que era cotada para conquistar medalha de ouro em sua prova.

“Depois de cinco anos de treino e preparação, estou absolutamente arrasada de dizer que, na última noite, eu recebi um teste positivo de covid-19”, lamentou a atleta de 23 anos.

Segundo a organização dos Jogos Olímpicos de Tóquio, os casos de contaminados entre as pessoas credenciadas, o que inclui os atletas, já chegam a 80. E têm de ficar isolados.

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Pandemia afasta chefes de Estado da festa de abertura da Olimpíada de Tóquio

Líderes de 15 países são esperados pelo governo japonês; em comparação, 2016 contou com 40

Raphael Ramos, enviado especial/TÓQUIO, O Estado de S.Paulo

22 de julho de 2021 | 05h00

O governo japonês espera líderes de cerca de 15 países e organizações internacionais para a cerimônia de abertura da Olimpíada, nesta sexta-feira. O número reduzido se deve à pandemia. Como comparação, 40 chefes de Estado compareceram ao evento nos Jogos do Rio, em 2016. Na Olimpíada de Londres-2012, cerca de 80 líderes mundiais visitaram a Inglaterra no período.

O presidente francês Emmanuel Macron está entre os líderes que anunciaram presença na cerimônia em Tóquio. Assim como a primeira-dama dos Estados Unidos, Jill Biden, e o primeiro-ministro da Mongólia, Luvsannamsrai Oyun-Erdene.

Por causa da covid-19, não haverá torcedores nas arquibancadas do renovado Estádio Olímpico, com capacidade para até 68 mil espectadores.

São esperados 70 ministros ligados à área do Esporte, como o chefe da pasta da Cidadania, João Roma, que será o representante do governo brasileiro no evento. Nas últimas três edições da Olimpíada, o presidente do Brasil à época sempre esteve presente à cerimônia de abertura: Luiz Inácio Lula da Silva (Pequim-2008), Dilma Rousseff (Londres-2012) e Michel Temer (Rio-2016).

Entre as ausências na cerimônia desta sexta-feira está também a princesa Anne, filha da rainha da Inglaterra. Presidente da Associação Olímpica Britânica, ela competiu nos Jogos de Montreal em 1976 como integrante da equipe de hipismo e também faz parte do Comitê Olímpico Internacional.

A expectativa é por um evento esvaziado. Líderes empresariais japoneses, entre eles o presidente da Toyota, já avisaram que não estarão no Estádio Olímpico. Em compensação, o imperador do Japão, Naruhito, vai comparecer à cerimônia. Ele, porém, não estará acompanhado de nenhum outro membro da família imperial.

O Brasil terá dois porta-bandeiras na cerimônia: a judoca Ketleyn Quadros, que em 2008 conquistou a medalha de bronze nos Jogos de Pequim, e o levantador Bruninho, ouro com o vôlei masculino no Rio-2016 e prata em Pequim-2008 e em Londres-2012.

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