Satiro Sodré/SSPress
Cielo ainda não tem vaga garantida nos Jogos Olímpicos do Rio Satiro Sodré/SSPress

Cesar Cielo tem última chance de obter vaga nos Jogos Olímpicos

Troféu Maria Lenk, no Rio, vai definir os brasileiros classificados 

Nathalia Garcia, O Estado de S. Paulo

15 de abril de 2016 | 07h01

Diante da última oportunidade de se garantir nos Jogos Olímpicos do Rio, Cesar Cielo colocará à prova no Troféu Maria Lenk, que começa nesta sexta-feira e vai até o dia 20, as escolhas e as mudanças na carreira nos últimos meses. Em 2016, o nadador foi para os EUA, acompanhado da mulher Kelly Gisch e do filho Thomas, e deu início a um período de isolamento e concentração total. 

O campeão dos 50 metros livre nos Jogos de Pequim, em 2008, e dono das medalhas de bronze nos 100 m livre na China e nos 50 m livre em Londres-2012 deu as suas cartadas finais para a última seletiva olímpica: retomou a parceria com um treinador de confiança, o americano Scott Goodrich, participou de algumas competições em solo americano e intensificou o treinamento, com ênfase no trabalho físico.

Após uma temporada de 2015 frustrante, Cielo tenta acabar com a desconfiança no Maria Lenk, que também serve como evento-teste no Estádio Aquático, no Parque Olímpico da Barra da Tijuca. Inscrito para duas provas, ele nada os 100 m livre na segunda-feira e os 50 m livre na quarta. O foco na disputa mais longa é ficar bem colocado para assegurar uma vaga no revezamento 4x100 m livre do Brasil na Olimpíada. 

Já nos 50 metros livre, a missão do velocista é mais complicada. Além de nadar abaixo do índice olímpico (22s27), Cielo terá de ser mais rápido que os concorrentes para ter a chance de tentar buscar a terceira medalha olímpica consecutiva. O Brasil tem direito a dois nadadores na prova e, até o momento, Bruno Fratus e Ítalo Manzine serão os representantes. Os atletas registraram 21s50 e 22s08, respectivamente, na primeira seletiva, o Torneio Open, no final do ano passado, e têm chance de melhorar essas marcas no Rio. Alberto Silva, técnico da seleção brasileira masculina, confia na classificação do astro. "Acredito que nos 50 m ele vá nadar para 21s e ficar com a vaga."

Cielo não nada abaixo dos 22s08 de Ítalo desde maio de 2015, quando registrou o tempo de 22s05 no GP de Charlotte, nos EUA. Além de resultados ruins, a ausência do recordista mundial dos 50 m (20s91) e 100 m livre (46s91) em momentos cruciais incomoda. Em agosto do ano passado, Cesar deixou o Mundial de Esportes Aquáticos em Kazan, na Rússia, antes de nadar os 50 m livre, sentindo uma lesão no ombro depois de ficar com um 6º lugar nos 50 m borboleta. Ele voltou à piscina apenas em dezembro, em Palhoça (SC), em busca da classificação olímpica no Open. Mais uma decepção: o nadador abandonou o campeonato sem disputar os 50 m livre após ter um fraco desempenho nos 100 m livre e ficar fora da final.

Foi o estopim para o atleta mudar o rumo de sua preparação olímpica. Cielo encerrou a parceria com a comissão técnica comandada por Arilson Silva, em São Paulo, e mudou-se para o Arizona. Nos EUA, recorreu a uma parceria de sucesso. O treinador Scott Goodrich é seu amigo desde a época que dividiam a piscina da Universidade de Auburn (entre 2005 e 2008) e foi o responsável pela preparação do nadador em dois momentos gloriosos: o Mundial de Barcelona, em 2013, e o Mundial de Piscina Curta de Doha, em 2014. 

Para Albertinho, o trabalho fora do Brasil vai dar resultado. "O Cesar continua em boa forma física e vem fazendo bons treinos. O Scott bate de frente quando acha que alguma coisa está errada e isso é importante quando você treina um atleta tão experiente." 

Nesta temporada, o GP de Orlando foi o único torneio de alto nível disputado por Cielo. Os tempos registrados ficaram aquém do seu potencial, ainda que março seja um período de treinos mais pesados, longe do auge. No início do mês, encostou no índice olímpico ao anotar 22s28 em Austin e renovou as esperanças. Na próxima semana, Cielo sabe que não há mais espaço para erro.

PROVAS DO DIA

400 m medley masculino - (4min16s71)

Brandonn Almeida, de 18 anos, baixou o índice em quase dois segundos. Thiago Pereira descartou nadar a prova.

100 m borboleta feminino - (58s74)

Nenhuma brasileira fez o índice até agora. Daynara de Paula e Etiene Medeiros são as favoritas.

400 m livre masculino (3min50s44)

Luiz Altamir Melo vai defender a vaga obtida em Palhoça. Leonardo de Deus busca classificação.

400 m medley feminino - (4min43s46)

Joanna Maranhão, que brilhou na primeira seletiva, está perto da sua quarta Olimpíada. 

100 m peito masculino (1min00s57)

Felipe França e João Gomes Junior tentam assegurar as vagas garantidas na primeira seletiva.

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