Yanis Behrakis|Reuters
Chama foi acesa em Olímpia e é vigiada para que nada errado aconteça Yanis Behrakis|Reuters

Chama olímpica é vigiada 24 horas por time de guardiões

Equipe atua para garantir que fogo original não se apague

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

02 de maio de 2016 | 07h00

Muita gente não sabe, mas a mesma chama que foi acesa em Olímpia, na Grécia, com a utilização de um espelho parabólico, será usada para acender a pira olímpica no Rio de Janeiro, no dia 5 de agosto, na abertura dos Jogos Olímpicos. Para não deixar o fogo "sagrado" apagar, guardiões ficam o tempo todo em volta das tochas ou controlando as lanternas que levam o fogo para todos os lugares.

"A chama sempre está passando de tocha em tocha, ou numa pira de celebração, grande ou pequena, ou, longe dos olhos, numa lanterna de segurança", explica Leonardo Caetano, diretor de cerimônias e revezamento da tocha do Comitê Rio-2016, lembrando que essas lanternas também são usadas na mineração.

O segredo de manter uma chama que nunca apaga está nessa lanterna. São nove no total, sendo que apenas quatro ou cinco estão acesas no mesmo momento; as que sobram estão em manutenção ou sendo abastecidas com fluidos. "Essas lanternas são usadas na mineração e já são feitas para ficar acesas por um longo período de tempo, com baixo consumo de combustível", conta.

As lanternas recebem fluidos semelhantes ao usados em isqueiros e mantém a chama acesa por mais de oito horas. Assim, é preciso ficar trocando e revezando para que sempre exista uma "chama original". Por isso, o revezamento da tocha olímpica conta com um time de seis guardiões, que estão o tempo todo ao lado do fogo.

"A chama é vigiada o tempo todo e até vai para o quarto desses guardiões. Eles são pessoas de produção, que já têm conhecimento de trabalhar com a chama e foram treinadas para isso. Tem brasileiro e estrangeiro no grupo. E mesmo que o fogo apague por algum motivo, vai acender com as chamas originais porque temos backups de emergência", explica.

No momento a tocha olímpica está na Suíça e amanhã cedo chega ao País, em Brasília, para o início do revezamento em território nacional. "Ela virá em um voo fretado e com protocolos especiais de segurança. As lanternas vão viajar como se fossem passageiros", continua Caetano.

Para entrar na aeronave, as lanternas são colocas em um suporte e amarradas com um cinto de segurança. Os guardiões vão ficar próximo delas, a fim de evitar qualquer problema. "Agora é a fase de preparação. Fizemos um trabalho muito grande, vamos passar em 327 cidades e todo mundo que trabalhou nisso nos últimos meses está muito animado", afirma.

LOGÍSTICA

A preparação do revezamento da tocha foi muito complicada, ainda mais ao se levar em conta as dimensões continentais do Brasil. Caetano lembra que cada cidade que está na rota do revezamento foi visitada três vezes no mínimo. "Vimos as ruas, desenhamos os trajetos, conversamos com as prefeituras, pois precisamos ter um controle do fluxo. Cada um dos 12 mil carregadores têm um lugar específico para correr com a tocha", diz.

A partir de Brasília, o símbolo olímpico vai para cidades de Goiás, depois Minas Gerais, duas cidades do Rio de Janeiro, Espírito Santo e aí parte para o Nordeste do Brasil. Todo esse trecho será feito de carro, com exceção da visita a Fernando de Noronha. Depois de Teresina, capital do Piauí, começa a parte aérea do revezamento, passando por Tocantins, Maranhão, Pará, Amapá, Roraima, Amazonas, Acre, Rondônia, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

É em Campo Grande que o revezamento volta para as estradas e passa pela região Sul e Sudeste, em diversas cidades, antes de desembarcar no Rio após 95 dias de viagem pelo Brasil. E sempre com a chama acesa.

 

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