China critica postura do presidente dos EUA, George W. Bush

Governo chinês diz que presidente americano é pressionado e dá ouvidos a reclamações de dissidentes chineses

Ansa

31 de julho de 2008 | 13h00

O governo da China mostrou nesta quinta-feira sua posição intransigente ao criticar o encontro do presidente norte-americano, George W. Bush, com um grupo de dissidentes e responder aos protestos da imprensa estrangeira e do Comitê Olímpico Internacional (COI) reafirmando a censura na internet, "prevista na lei chinesa", mesmo durante os Jogos de Pequim.Veja também: China: censura na internet se limita a 'informação ilegal' COI admite trato com China sobre censura na Internet nos Jogos Comitê afirma que censura à internet continuará nas OlimpíadasBush, sob pressão por fazer um gesto a favor dos direitos humanos antes de partir para Pequim - onde irá permanecer entre os próximos dias 8 e 10 de agosto -, recebeu na última terça-feira na Casa Branca cinco importantes dissidentes chineses, entre os quais o inventor do "Muro da Democracia", Wei Jingshen, o ex-prisioneiro político Harry Wu e a empresária Uigur Rebiya Kaader. Os outros dissidentes presentes no encontro eram Bob Fu e Sasha Gong."Organizando este encontro entre o líder deles [o presidente Bush, ndr] e estas pessoas e fazendo declarações irresponsáveis sobre a situação dos direitos humanos e da religião na China, os Estados Unidos deselegantemente interferiram nas questões internas da China e mandaram uma mensagem profundamente errada às forças hostis antichinesas", comentou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Liu Jianchao.Em um comunicado publicado no site do Ministério das Relações Exteriores, o próprio Jianchao criticou o Congresso dos Estados Unidos, que pediu a Pequim que "melhore a situação dos direitos humanos" e "coloque um fim à repressão das minorias".A confirmação de que os jornalistas presentes em Pequim não terão acesso livre à internet veio do porta-voz da assessoria de imprensa do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos (Bocog), Sun Weide.Weide falou apenas dos sites ligados à seita religiosa de Falun Gong que, segundo ele, "é um culto vetado pela lei chinesa", não comentando sobre os outros inúmeros sites bloqueados pela censura chinesa.A porta-voz do COI, Giselle Davis, disse que o presidente Jacques Rogge, que chegou nesta quinta a Pequim, "irá pedir explicações" às autoridades chinesas que haviam prometido o acesso livre à rede.O encontro de Bush com os dissidentes foi particularmente um incômodo para a China devido à presença entre os convidados na Casa Branca de Rebiya Kadee, que esteve na prisão por seis anos antes de se expulsa em 2005, de fato a mais conhecida representante da etnia muçulmana Uigur da qual, segundo o governo de Pequim, provêem os grupos terroristas que pretendem "sabotar" as Olimpíadas.O programa de Bush, segundo afirmou um porta-voz, prevê a participação do presidente em uma missa no domingo dia 10, ao final da qual ele irá falar da liberdade de religião na China.Bush irá se encontrar com os líderes de outros países, entre os quais o presidente chinês, Hu Jintao, e irá assistir a uma disputa olímpica que, segundo boatos, poderá ser a esperada partida entre as equipes de basquete de seu país e dos donos da casa.Respondendo a uma pergunta no decorrer de uma coletiva de imprensa na capital, Liu Jianchao expressou um julgamento favorável sobre os oito anos de presidência de Bush.Nesse período "o presidente Bush trabalhou muito e fez muitos esforços pela estabilidade e a saúde das relações bilaterais, e obteve resultados notáveis", afirmou Jianchao. "Nestes oito anos as relações entre China e Estados Unidos mantiveram um forte impulso positivo", completou o porta-voz.

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