China diz que notícias ruins podem afastar público de Pequim

Organização dos Jogos promete forte esquema de segurança e boa qualidade do ar para atrair visitantes

Ben Blanchard, REUTERS

28 de maio de 2008 | 13h04

Uma importante autoridade chinesa dosetor turístico admitiu na quarta-feira que o noticiárionegativo a respeito do seu país pode afetar a presença deespectadores estrangeiros na Olimpíada de Pequim. Desde o começo do ano, a China apareceu no noticiário porcausa das nevascas no sul do país, dos distúrbios no Tibete,dos protestos no trajeto da tocha olímpica pelo mundo, e agorapor causa do devastador terremoto de Sichuan. Também houve alertas da Interpol sobre possíveis atentadosdurante os Jogos, e o governo disse já ter desbaratado umcomplô de separatistas muçulmanos da etnia uigur para perturbaro evento. "Acho que talvez haja algum efeito psicológico [dasnotícias] sobre alguns turistas estrangeiros que não entendem asituação", disse Zhang Huiguang, diretora da Administração deTurismo de Pequim, em entrevista coletiva. "Mas na realidade Pequim tomou várias medidas fortes desegurança", acrescentou ela, em declarações que não apareceramno resumo da entrevista no site oficial dos Jogos(www.beijing2008.cn). "Pequim não será afetada pelo terremoto de Sichuan. Aindadamos as boas-vindas a turistas de todo o mundo para que venhama Pequim durante a Olimpíada", afirmou a funcionária. A cidade espera receber entre 450 mil e 500 milestrangeiros durante os Jogos, o que não é muito acima dos 420mil que visitaram Pequim no mesmo período de 2007. De acordocom Zhang, trata-se da baixa temporada do turismo na capital. De fato, a apenas três meses do início da Olimpíada, oshotéis não estão nada lotados. Nos quatro-estrelas, porexemplo, só 44 por cento dos quartos estão reservados. "Alguns agentes de viagens ainda não pegaram os ingressosolímpicos, o que está causando problemas para alguns grupos. Senão tiverem ingressos, algumas pessoas também vão preferir nãovir, já que os preços de quartos e carros estará mais alto doque o normal." Xiong Yumei, adjunto de Zhang, informou que os hotéisquatro-estrelas estão cobrando em média 320,3 dólares peladiária durante o período olímpico, o triplo do valor de um anoantes. Um cinco-estrelas chega a cobrar mais de mil dólares pornoite. Zhang disse que os novos controles de vistos em vigor nãovão atrapalhar quem deseja ver os Jogos. "Acho que osvisitantes precisam atender às nossas exigências, como porexemplo fornecer cartas de garantias dos hotéis, e mesmo assimdevem conseguir vistos facilmente. Isso se deve a consideraçõesde segurança. Pedimos a todos que compreendam." Mas as próprias autoridades turísticas admitem que aburocracia chinesa pode ser desanimadora. Um guia publicado eminglês pelo departamento pequinês de turismo alerta quevisitantes por longos períodos precisam de um visto especial,obtido junto à polícia, "o que tende a criar uma dor-de-cabeçacom o longo preenchimento de formulários".

Tudo o que sabemos sobre:
Pequim 2008ChinaOlimpíadas

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.