China já é a nova superpotência do esporte, afirma COI

Para o presidente do comitê, liderança reflete mudança geopolítica no mundo e não surpreende

KAROLOS GROHMANN, REUTERS

21 de agosto de 2008 | 05h24

O domínio da China nos Jogos de Pequim reflete uma mudança geopolítica no mundo e é difícil vê-los fora do topo da ordem mundial esportiva, disse o presidente do COI Jacques Rogge na quinta-feira. "Acho que eles estão chegando lá - no topo", disse o presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI) em entrevista às agencias de notícias. "Vai ser muito difícil mudar isso."     Veja também:  Quadro de medalhas Até a manhã de quinta-feira, a China havia conquistado 45 medalhas de ouro, no topo do quadro de medalhas em Pequim, com os Estados Unidos em segundo, somando 27. "Eles devem terminar com algo entre 50 e 60 (ouros). Não estou surpreso", disse Rogge. Ele disse que o sucesso olímpico da China deve-se principalmente aos recursos investidos no esporte para mostrar uma imagem de modernidade do país. Vinte anos atrás, nos Jogos de Seul, a China ficou com cinco medalhas de ouro, fora da lista dos 10 países com mais medalhas. Pequim tem, desde então, investido pesado em seleção e treinamento de atletas, um esforço que espelha o crescimento do poder global econômico e político da nação. "O mundo tem que aprender a viver com uma mudança na natureza geopolítica", disse Rogge. Isso (o sucesso esportivo da China) vai durar tanto quanto seu sistema esportivo dure", disse o dirigente. Ele também disse que a melhor performance britânica nos Jogos em um século, com 17 medalhas de ouro até agora, é um bom prenúncio para a Olimpíada de Londres, em 2012. "O que me deleita é que a Grã-Bretanha está pronta", disse. "Eles têm uma geração que está pronta para 2012." Rogge, que foi longamente criticado pela decisão do COI de premiar Pequim com a escolha como sede destes Jogos, disse que até agora, três dias antes do fim, os Jogos são um sucesso. "O COI está muito feliz com a organização dos Jogos", disse. Ainda faltam três dias. Sou um homem muito cuidadoso e só vou comemorar no momento da cerimônia de encerramento." EXPLÊNDIDO ISOLAMENTO "Nós não somos ingênuos nem cegos", disse Rogge, sobre os protestos sobre os direitos humanos na China e sua política externa. "Sabíamos que haveria crítica", completou, dizendo ainda que os Jogos fizeram sua parte para mudar a China e abri-la para o mundo. "Os chineses definitivamente descobriram que eles não podem viver nesse isolamento", disse o presidente do COI. Rogge disse que a luta do COI contra o doping também ganhou terreno, com apenas cinco testes positivos até agora, depois de um grande programa de teste pré-Jogos, aumento de controle durante as competições e penas mais duras para os infratores. "Isso teve um efeito de intimidação", disse, completando que os possíveis infratores têm estado "assutados e amedrontados". Rogge também pediu que os políticos resolvam a disputa entre a Rússia e a Geórgia depois do conflito armado entre os países pelo domínio da região da Ossétia do Sul. A cidade costeira de Sochi, que faz fronteira com outra região autônoma conturbada, a Abkházia, será a sede dos Jogos de Inverno de 2014. "Não é muito confortável pensar que a 25 quilômetros de Sochi existe a potencialmente conflituosa regiãao da Abkházia." RECORDE DE RECEITAS Rogge, cujo mandato de oito anos termina no próximo ano, com direito a reeleição para mais quatro, disse que não tomará a decisão (de concorrer à reeleição) antes de outubro. A proposta de reeleição vai ser potencializada com o recorde de audiência dos Jogos de Pequim -- um crescimento global de cerca de 30 por cento, aumentando as receitas e expandindo acordos com patrocinadores. Rogge previu que os direitos de mídia para 2014-2016 passem dos 3,8 bilhões de dólares que as redes de TV pagaram pelo periodo dos dois Jogos (Inverno e Verão), de 2010-2012, ampliados por receitas de novas mídias, incluindo Internet, "É um 'segredo público' que a NBC (dententora dos direitos exclusivos de transmissão para os EUA) vai ter um lucro pesado." Ele disse que as ofertas dos europeus para 2014-2016 já começaram a chegar. "Essas propostas são bem maiores. É muito encorajador", disse Rogge. Para as redes de TV norte-americanas, o procedimento para a apresentação de propostas começará imediatamente após Pequim. Rogge disse que espera ainda mais interessados do que os costumeiros. "Tínhamos quatro interessados, na última vez", ele disse, referindo-se a CBS, NBC, ABC e Fox. "Espero por todos eles de volta, e alguns mais." As críticas quanto ao programa dos Jogos de Pequim, inclusive sobre as finais da natação -- pelas manhã na China, para agradar à audiência dos Estados Unidos --, não são problema, disse Rogge. "O COI quer encontrar o melhor equilíbrio possível entre a audiência e o programa, certificando-se que os atletas não sofram", concluiu.

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