China pede a críticos que não politizem Jogos Olímpicos

Para os governantes, associação de política com esporte seria algo 'inadequado e impopular'

Liu Zhen, da Reuters,

19 de outubro de 2007 | 09h36

A China alertou seus críticos nesta sexta-feira para não relacionarem os Jogos Olímpicos de Pequim de 2008 a questões políticas ou boicotes, afirmando que qualquer tentativa de fazer algo parecido seria "inadequado e impopular". Grupos de direitos humanos consideram a Olimpíada como uma chance de exercer pressão contra a China por tudo, desde o conflito em Darfur, passando pelo apoio de Pequim à junta militar de Mianmar e os direitos dos trabalhadores migrantes. "Nós acreditamos que qualquer questão política que não tem nada a ver com a Olimpíada não deve ser relacionada aos Jogos de Pequim", disse Liu Jingmin, vice-presidente executivo do Comitê de Organização de Pequim para os Jogos Olímpicos de 2008, em uma coletiva de imprensa durante o Congresso do Partido Comunista. Nesta semana, a Human Rights Watch fez um apelo para que a China utilize seu assento no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) para ajudar a colocar um fim no conflito em Mianmar, depois das repressões aos protestos nas ruas neste mês. O grupo sediado em Nova York lembrou que a auspiciosa data 8 de agosto de 2008, escolhida para a abertura dos Jogos, marca o 20o aniversário das manifestações pró-democracia de 1988 em Mianmar, esmagadas pelos militares um mês depois. "O governo chinês está desempenhando um papel construtivo e responsável na questão de Mianmar e o papel construtivo foi reconhecido por todos", disse Liu. "Nós acreditamos que uma tentativa de usar essa questão como uma desculpa para boicotar a Olimpíada vai ser tanto inadequada como impopular". Ele também defendeu os próprios números da China na questão dos direitos humanos, que vieram à tona por causa dos despejos de pessoas para dar lugar a instalações olímpicas. "Eu acredito que as preparações para os Jogos Olímpicos impulsionaram tremendamente o desenvolvimentos dos direitos humanos na China", disse Liu. Em caso de alguém tentar organizar protestos durante os Jogos ou tentar interrompê-los, Liu alertou que as forças de segurança estarão em estado de alerta. "A segurança sempre foi a prioridade máxima durante nossas preparações", disse. "Nós podemos garantir plenamente que os Jogos de 2008 serão uma Olimpíada segura".

Tudo o que sabemos sobre:
Pequim 2008

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.