China promete ar de qualidade para os atletas dos Jogos

Após Gebrselassie desistir da maratona por medo de problemas respiratórios, chineses pedem tranqüilidade

Efe,

11 de março de 2008 | 10h13

A China afirma que cumprirá a promessa feita em 2001, quando foi escolhida como sede dos Jogos Olímpicos de 2008, de garantir um mínimo de qualidade do ar para a disputa de competições prática esportiva de alto nível.  Veja também: Blog Daniel Piza: Pequim, cidade permitida Especial: Pequim, as cidades e os locais da Olimpíada 2008  "O Governo dá grande importância ao meio ambiente, e mais de 200 medidas foram tomadas para aumentar a qualidade do ar, que veio melhorando nos últimos anos em Pequim", disse hoje Sun Wiede, diretor de comunicações do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos de Pequim (Bocog, em inglês). Sun concordou com a versão oficial do Ministério de Assuntos Exteriores, que informou através de seu porta-voz Qin Gang que "durante os Jogos Olímpicos os índices dos maiores poluentes atingirão o padrão nacional ou o sugerido pela OMS (Organização Mundial da Saúde), proporcionando um ambiente limpo". Zhang Lijung, subdiretor da Administração Estatal de Proteção Meio Ambiental, disse à agência oficial Xinhua que as autoridades ambientais de Pequim fazem um acompanhamento diário dos principais índices de poluição: dióxido de sulfureto, monóxido de carbono e dióxido de nitrogênio. "Os três índices cumpriram os padrões nacionais após anos de esforços e prometemos que o índice de partículas também os acompanhará durante os Jogos", declarou. Zhang se referiu assim à concentração de PM10, partículas em suspensão procedentes do trânsito e da indústria, causadoras de asma, problemas cardiovasculares ou câncer de pulmão, e que são a principal preocupação da ONU, segundo o relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente divulgado em outubro. GEBRSELASSIEA poluição de Pequim continua sendo, junto com a umidade registrada pela cidade em agosto, a principal preocupação dos atletas, como mostrou na última segunda o etíope Haile Gebrselassie, recordista mundial de maratona, que anunciou que não correrá a prova por temer por sua saúde. "Convidamos os atletas de todo o mundo, incluindo Gebrselassie, para que venham competir e desejamos a todos muito sucesso", declarou Qin Gang. Gebrselassie não é o único atleta de elite que questionou a idoneidade do ar de Pequim. Além disso, o próprio presidente do COI, o belga Jaques Rogge, sugeriu em meados do ano passado a possibilidade de reprogramar algumas provas caso as condições não sejam as melhores para competir. Pequim já afirmou que nenhuma das provas programadas para a capital será transferida para outro local, pois acredita que darão frutos os mais de US$ 15 bilhões investidos nos últimos anos para frear a poluição galopante de uma cidade que em algumas ocasiões se torna irrespirável. O número de "dias azuis" em Pequim cresce ano a ano, até ter se situado nos 246 em 2006 em relação aos 100 que teve em 1998, apesar de o dia azul medido com os níveis chineses não acompanhar os padrões aceitos internacionalmente. Do que não há dúvida é que Pequim iniciou um ambicioso programa de medidas, entre as quais se encontra a transferência das fábricas mais poluidoras ou a proibição da circulação de metade da frota automobilística durante os Jogos, visando garantir a qualidade do ar durante o evento.

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