China quer 'segurança absoluta' no Tibete durante Olimpíada

Os policiais chineses responsáveis pelaguarda do Tibete foram mobilizados de forma a garantir umambiente de "segurança absoluta" na região durante os JogosOlímpicos e tentam agora obter maior apoio internacional,afirmou nesta quarta-feira um jornal oficial. A China diz que seguidores do Dalai Lama, líder espiritualdo Tibete atualmente exilado, alimentou os distúrbios eprotestos ocorridos em toda a região montanhosa em março, emmeio a esforços para prejudicar a Olimpíada, que devem começarno dia 8 de agosto. O Dalai Lama rebateu as acusações, mas, desde aquela ondade instabilidade, as forças de segurança presentes no Tibete enas Províncias vizinhas realizaram várias operações para acabarcom eventuais focos de resistência ao domínio chinês. O jornal Tibet Daily anunciou a adoção de esquemas desegurança ainda mais rígidos durante os Jogos, período no qualqualquer demonstração feita por grupos pró-independência doTibete deixaria o governo chinês em maus lençóis diante dacomunidade internacional. A fim de garantir um ambiente de "segurança absoluta semfalha nenhuma" a polícia duplicará o número de guardasestacionados em prédios grandes, reforçará os esquemas decontrole da fronteira e tentará ampliar os esforçosinternacionais para minar os ativistas anti-China, disse umareportagem divulgada pelo site oficial www.chinatibetnews.com. O texto sugeriu que a China tentaria obter a cooperação deoutros países, com destaque para os localizados perto doTibete. Eles tentarão "intensificar e melhorar as formas decooperação no policiamento internacional e ampliar a região e oâmbito da cooperação policial, esmagando de uma vez por todasas atividades separatistas do grupo do Dalai Lama", disse areportagem. A China vem pressionando a Índia e o Nepal, onde morammuitos milhares de tibetanos exilados, a intensificar o combateaos grupos que defendem a independência do Tibete. As autoridades chinesas afirmam que grupos "terroristas"que lutam pela independência do Tibete e de Xinjiang (uma áreamajoritariamente muçulmana) são as maiores ameaças aos Jogos. Um contingente adicional de milhares de integrantes daPolícia Armada do Povo foi estacionado ao redor de Pequim. E ojornal da entidade publicou um alerta contundente a respeitodas ameaças com que se deparam as Olimpíadas. Segundo a publicação, "forças hostis" e terroristasvisitaram Pequim várias vezes a fim de escolher alvos. Nãoforam divulgados maiores detalhes. "Sem exceção, eles estão afiando suas espadas e estãoávidos para entrar em ação", afirmou o jornal a respeito degrupos tibetanos, uigures (de Xinjiang) e outros. Ativistas do Tibet e de Xinjiang, além de grupos de defesados direitos humanos, afirmam que o governo chinês exagera asameaças a fim de reprimir manifestações pacíficas e que nãopermitiu que fontes independentes avaliassem as alegações. "Nós estamos preocupados com a possibilidade de a falta deacesso de fontes independentes a áreas como o Tibet e Xinjiangtornar mais fácil para o governo exagerar uma suposta ameaçaterrorista," afirmou Phelim Kine, do Human Rights Watch. (Reportagem de Chris Buckley)

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