China reforça controle para evitar escândalos de doping em casa

Antes mesmo de qualquer atleta disputaruma prova na Olimpíada de Atenas-2004, os dois principaisvelocistas da Grécia tentavam não ser expulsos dos Jogos apósterem faltado a um teste de doping. Quatro anos mais tarde, a China tentará evitar umarepetição dos escândalos envolvendo o consumo de substânciasproibidas e que se tornaram comuns nas competições esportivas. O volume de testes para drogas ilícitas será maior do quenunca, novas tecnologias serão usadas e o Comitê OlímpicoInternacional (COI) prometeu que as medidas antidoping adotadasno evento de 2008, que começa na próxima semana, serão maisrigorosas do que nunca. No entanto, como há uma grande quantidade de dinheiro,orgulho e glória em jogo, os que fazem uso de substânciasilegais também procuram aprimorar-se. "No mundo do doping, para os que fazem isso, há um jogoconstante de gato e rato", afirmou David Baron, presidente dodepartamento de psiquiatria da Universidade Temple, naFiladélfia (EUA). "Não se trata de uma mera patrulha da urina, mas simgarantir uma competição justa e de proteger a saúde dosatletas", disse Baron, que já atuou na área em ediçõesanteriores dos Jogos. Quando o espetáculo terminar em Pequim, cerca de 4.500testes terão sido realizados, um aumento de 25 por cento emrelação a Atenas -- todos os cinco primeiros colocados e doiscompetidores escolhidos ao acaso serão submetidos a exames emtodas as modalidades. Pela primeira vez, haverá kits para testar a presença dohormônio de crescimento humano (HGH) e, segundo as regrasaprovadas pelo COI em junho, qualquer um que cometer umainfração grave das leis antidoping ficará de fora dos Jogos de2012, em Londres. "Em termos do que o pessoal da tecnologia realizou e dasmedidas voltadas contra o doping, o rigor é o maior já visto",afirmou David Howman, diretor-geral da Agência MundialAntidoping (Wada). ESCÂNDALOS No entanto, apesar dos avanços constantes na luta contra odoping, esses esforços sofreram sérios golpes nos últimos anosem meio a escândalos envolvendo a Volta da França de ciclismo ea corredora norte-americana Marion Jones. Autoridades chinesas do setor esportivo disseram váriasvezes que preferiam ficar sem medalhas de ouro em Pequim asofrer a humilhação de ver um de seus atletas flagrado nodoping. Mas mesmo o histórico do país revela tanto avanços quantoretrocessos na luta contra o doping. O número de testes realizados na China aumentouenormemente, de 165 em 1990 para 10.238 no ano passado, afirmouo Comitê Olímpico Chinês. O órgão ainda tornou mais rígidas as punições depois devários escândalos responsáveis por manchar a imagem de seusatletas nos anos 90. Mais recentemente, a China adotou medidas punitivas maisseveras do que as da Wada, prometendo banir atletas e seustécnicos definitivamente no caso de testes positivos. Pelas regras da Wada, um atleta flagrado pela primeira vezfica suspenso durante dois anos. O banimento definitivo sóocorre no caso de haver uma reincidência. Alguns dos principais líderes do país também passaram a dardeclarações a respeito do assunto, indicando a importância deleem uma Olimpíada que, segundo deseja a China, precisa serperfeita. O vice-presidente chinês, Xi Jingping, encarregado desupervisionar os últimos meses de preparação para os Jogos,disse que o país precisava adotar uma "atitude de tolerânciazero em relação ao doping e aperfeiçoar os testes." A China precisa "garantir a pureza e a limpeza da práticaesportiva nas Olimpíadas a fim de oferecer um ambiente decompetição justa para os atletas," afirmou. (Reportagem adicional de Nick Mulvenney)

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