China se abre para o mundo durante os Jogos Olímpicos

'Nenhum país mudou tanto em tão pouco tempo', afirma dirigente do Comitê Olímpico Internacional

David Crary - AP,

18 de julho de 2008 | 10h40

Dez mil atletas de todas as partes do mundo se encontrarão na capital da China em agosto. Espera-se que meio milhão de torcedores estrangeiros assistam os Jogos. Um batalhão de 30 mil jornalistas estarão especialmente para transmitir o evento, como também outros detalhes de uma nação tradicionalmente fechada, que está se abrindo para o mundo como nunca se viu. "Nenhum país mudou tanto em tão pouco tempo, ou tão rapidamente", afirma o chefe de mercado e membro da junta executava do Comitê Olímpico Internacional (COI), Gerhard Heiberg. "É um processo que continuará depois dos Jogos. Todos estão sentindo que a China está se movendo na condição correta." Na questão logística, funcionários do COI já dizem que as Olimpíadas são um sucesso. Eles elogiam as modernas instalações e a nova infra-estrutura, principalmente o Estádio Nacional, chamado de "Ninho de Pássaro" por causa de suas vigas retorcidas. Apesar de tudo, o evento gerou mais controvérsias e dúvidas do que nenhum outro no último meio século - dúvidas que continuam apesar da "simpatia" internacional demonstrada à China após o devastador terremoto de maio. A China respeitará sua promessa de permitir aos jornalistas a liberdade total para informar? O que acontecerá com as esperanças de reformas políticas e liberdade para os dissidentes presos? Acontecerão protestos devido à forma com a qual a China tratou os incidentes ocorridos no Tibete? Minky Worden, membro do "Human Rights Watch", pergunta se os Jogos ajudarão a empurrar a China para um papel mais progressista no mundo, ou deixarão a sensação de que estiveram associados com o "deboche" dos direitos humanos. "É ainda uma pergunta sem resposta", analisa Worden. "E não deveríamos estar sem respostas tão próximos dos Jogos. É um nível inaceitável." Não há dúvidas sobre o fervente apoio dos chineses às medidas do governo, todos alimentados pela esperança de que a equipe chinesa possa desbancar os Estados Unidos como o país com mais medalhas de ouro. Estes poderão ser os primeiros Jogos em que se esgotarão todos os bilhetes. Houve até um momento em que o sistema computadorizado para a vende entrou em colapso por causa da grande procura na internet. Em Pequim, moradores adotam todos os tipos de campanhas de melhoras pós-olímpicas - aprender inglês, redução da sujeira em locais públicos, estudar etiqueta e até tirar algas da zona marítima onde acontecem as provas de vela. Do ponto de vista do governo, este período prévio aos Jogos fortaleceu a "unidade nacional, já que expôs um nível de sentimento anti-chinês no mundo exterior". Wang Hui, porta-voz do Comitê Organizador dos Jogos e do Governo Municipal, afirmou que a veemência de alguns protestos pró Tibete durante o revezamento da tocha foi constrangedor, da mesma forma que algumas notícias na imprensa internacional. "Nós não sabíamos que algumas pessoas do mundo ocidental podiam ser tão bárbaras na forma de se comportarem", disse Hui. "O povo chinês se enfureceu com a imprensa ocidental, porque não apresentou uma imagem certa da gente." Wang disse que os Jogos Olímpicos devem produzir mais abertura na China e uma maior integração com o resto do mundo - mas não o fim do governo de um partido. "O progresso alcançado pela China nos últimos 30 anos mostra que o governo do Partido Comunista é correto." Desde os últimos dias da China Imperial há um século, alguns membros da elite do país sonham em organizar os Jogos. Os esforços da China Comunista para conseguir os Jogos começaram para valer com uma declaração do líder supremo Deng Xiaoping, em 1980, como parte dos esforços para restaurar a imagem internacional do país após a sangrenta repressão anti dissidente em Tiananmen, um ano antes. A China fracassou no seu objetivo de sediar as Olimpíadas do ano 2000, mas obteve êxito com uma proposta mais sólida para este ano. O país promete acesso livre e irrestrito a todos os jornalistas presentes no país e diz que irá melhorar a situação dos direitos humanos. A intenção do governo é que o povo chinês se beneficie com o evento. O organizador do movimento estudantil de 'Tiananmen' pró-democracia na China, Wang Dan, pediu junto com outros ativistas liberdade ais prisioneiros políticos e a permissão de regresso dos dissidentes durante as Olimpíadas.  "A curto prazo, as Olimpíadas podem beneficiar o Partido Comunista, mas, a longo prazo, o evento pode ser bom para a democracia, já que os Jogos darão a oportunidade para que a sociedade civil se ponha em contato com a comunidade internacional, para quem sabe atrair mais atenção e ajuda do exterior", afirmou.  Com 1,3 bilhões de habitantes, a China possui um quinto da população mundial, e seu recente crescimento econômico não encontra paralelos. A preparação para os Jogos mostrou pontos fortes do país, mas também teve complexas repercussões.  A poluição de Pequim tem sido uma preocupação constante, fazendo o COI advertir que os eventos de resistência ao ar livre podem ser suspensos se a qualidade do ar estiver ruim. Por isso, os organizadores dos Jogos pretende fechar algumas fábricas e retirar das ruas metade dos 3,3 milhões de veículos antes da cerimônia de abertura, marcada para 8 de agosto. 

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