Chineses vão às ruas na Austrália durante passagem da tocha

Mais de 10.000 sino-australianosrealizaram nesta quinta-feira a maior manifestação pró-Pequimdurante o conturbado revezamento internacional da tochaolímpica, levando para as ruas um mar de bandeiras vermelhas eabafando os protestos em defesa do Tibet. Manifestações e um reforçado esquema de segurançaacompanharam a passagem da tocha por várias cidades do mundodurante as últimas semanas, colocando as políticas doméstica einternacional da China sob pressão antes dos Jogos de agosto. Pequim esperava que o revezamento internacional da tochafosse um símbolo de união na preparação para a Olimpíada dePequim. Mas a passagem da chama tornou-se um pesadelo,obrigando os países que a receberam a reforçar as medidas desegurança. Manifestações anti-China durante as paradas anteriores datocha despertaram uma onde de patriotismo entre os chineses emcasa e no exterior. Nesta quinta-feira, milhares de chinesescantando "Uma China" lotaram o início e o fim do revezamento nacapital australiana Canberra. A polícia realizou sete prisões, mas a maior parte doevento foi pacífica. "Esse é um dia magnífico para a gente mostrar que aAustrália pode ter uma manifestação pacífica. Vendo osprotestos no exterior, eu me senti envergonhado pelocomportamentos das pessoas", disse à Reuters Wellington Lee, daAssociação Chinesa do Estado de Victoria. Chineses ocuparam os 16 km do trajeto e centenas de carrospassaram pelas ruas de Canberra carregando bandeiras chinesas. "Foi altamente organizado", disse um manifestante pró-Tibete senador do Partido Verde australiano Bob Brown. "Osaustralianos vão se sentir um pouco desconfortáveis pelo fatode a China comunista ter vindo para a cidade e mostrado quepode comprar qualquer coisa." A China negou esta acusação. "Ele perguntou às pessoas que atrapalharam e sabotaram atocha se houve alguma organização e investigação por trásdeles?", disse a porta-voz do Ministério de RelaçõesExteriores, Jiang Yu, em Pequim. Jiang também defendeu o fervor patriótico entre os chinesese considerou o gesto uma resposta legítima às "provocações". Pequim acusa o Dalai Lama de estar por trás dasmanifestações de monges budistas no dia 14 de março na capitaltibetana, Lhasa, que foram reprimidas com violência pelogoverno chinês. No sábado, a tocha passará por Nagano, no Japão, ondeautoridades alteraram o trajeto oficial devido a preocupaçõesde segurança. (Reportagem adicional de Chris Buckley em Pequim)

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