Yves Herman/Reuters
Yves Herman/Reuters

Choro do neto de Zé Roberto e despedidas marcam derrota do Brasil

Técnico da seleção feminina de vôlei prefere "esperar a poeira baixar" para tomar decisões

Antonio Pita e Ciro Campos, O Estado de S.Paulo

17 Agosto 2016 | 11h21

A tristeza de um pequeno torcedor chamou a atenção nesta terça-feira, no Maracanãzinho, após a dramática e inesperada derrota da seleção feminina de vôlei. Felipe, de 6 anos, neto do técnico José Roberto Guimarães, correu para abraçar o avô após o resultado, chorando. A imagem, transmitida pela TV, comoveu quem ainda não tinha se emocionado com a despedida antes da hora da seleção bicampeã olímpica.

Muito experiente em Jogos Olímpicos, Zé Roberto admitiu ter ficado emocionado. "Aperta mais o coração, mas o avô tem de ficar firme", disse o técnico, na saída do ginásio, na madrugada desta quarta-feira. Em todas as partidas, os dois netos, Felipe, de seis anos, e Gael, de quatro meses, acompanharam a evolução da equipe invicta na primeira fase, mas que sucumbiu diante do ataque jovem e ágil da seleção chinesa.

 

 

"Expliquei para ele que isso faz parte da vida, um dia a gente ganha e o outro a gente perde. Ele tinha de aprender isso também, o outro time jogou melhor e mereceu a vitória. Mostrei que o mais bonito era a festa que todo mundo estava fazendo. A gente só tem de agradecer de estar aqui com todo mundo, uma emoção enorme, e a gente tem de treinar mais para ganhar", afirmou o técnico.

Com a derrota nas quartas de final, a seleção feminina de vôlei teve o pior resultado na competição desde 1988, em Seul. Apesar da tristeza simbolizada pelo choro do garoto, a torcida brasileira fez a partida mais vibrante no Maracanãzinho em toda a competição até agora. Ao fim do jogo, as atletas foram aplaudidas e saudadas com gritos de "bicampeã".

"O povo brasileiro valoriza o esforço, quando vê que o time se dedica. Isso é gratificante. Nós estamos vivendo um clima na Olimpíada e o povo está valorizando o desempenho dos atletas, mesmo na prata ou no bronze", afirmou o técnico, já na madrugada após a derrota.

Na saída da quadra, as jogadoras pediram "desculpa" aos torcedores. "Queria pedir desculpas, todos nós merecíamos essa final", disse a levantadora Dani Lins. A capitã Fabiana, bicampeã olímpica, afirmou que a derrota não apaga o orgulho com a equipe. "Dói, dói muito. Mas o sentimento que tenho é de orgulho pela equipe, lutou até o fim, defendo uma por uma (as jogadoras) porque sei a luta do dia a dia. Brasil tinha confiança até o último set. Eu acredito até agora nessa equipe."

DESPEDIDA

Com a derrota, algumas jogadoras  veteranas e bicampeãs olímpicas já confirmaram que vão deixar a seleção. Além de Fabiana, que já havia anunciado, a atacante Sheilla anunciou em uma rede social que deixaria a equipe após a partida. "Hoje é um dia muito triste para mim, não só pela eliminação mas por que meu último jogo pela seleção não foi como eu queria", publicou a Sheilla. Também Jaqueline sinalizou que pode deixar a seleção. "Não gosto de falar que vou me despedir, que é a última partida, porque muitas jogadoras dizem e depois voltam. Entrego a Deus", disse a atleta.

Já o técnico José Roberto Guimarães, que comanda a equipe feminina desde 2003 e foi um dos responsáveis pelo bicampeonato olímpico, comentou que vai esperar a "poeira baixar" para conversar com os dirigentes e tomar uma decisão. "É muito difícil depois de uma derrota como essa ter uma decisão. Algumas jogadoras já tinham alguma ideia do que fazer", indicou.

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