Saulo Cruz/Divulgação
Agberto acredita que redução de recursos não impede COB de fazer um bom trabalho Saulo Cruz/Divulgação

COB adota 'dieta' nos gastos para Olimpíada de Tóquio

Preparação para Jogos de 2020 terá recursos reduzidos e investimento deve ser direcionado aos atletas que deem retorno

Marcio Dolzan, O Estado de S. Paulo

30 de janeiro de 2017 | 06h00

A fase de vacas gordas para o esporte olímpico brasileiro, que marcou o último ciclo, faz parte do passado. Agora, a ordem é apertar o cinto visando os Jogos de Tóquio-2020. Em um ambiente de recessão econômica, com previsão de redução dos repasses públicos e com dificuldades em fechar patrocínios, o Comitê Olímpico do Brasil (COB) já avisou as confederações esportivas que será necessário um corte de gastos. Algumas delas perderão espaço na distribuição de verbas e a recomendação a todas vai ser simples e objetiva: investir nos atletas com melhor desempenho.

O responsável por arquitetar essa nova realidade é Agberto Guimarães, que assumiu a direção executiva de Esportes do COB há menos de quatro meses. Atleta olímpico na década de 1980 e especializado em gestão esportiva, ele concedeu entrevista ao Estado e foi taxativo: “Vamos ter de fazer escolhas. Não tem jeito”.

No último quadriênio, o COB contou com um orçamento próximo a R$ 1,4 bilhão, com metade do montante oriundo de repasses da Lei Agnelo-Piva e a outra parte de patrocinadores privados. Foi o dobro do investido no ciclo de Londres-2012. Agora, apesar de não apontar valores, a entidade já sabe que os recursos irão diminuir drasticamente.

“O foco do ciclo passado era o Rio de Janeiro, e obviamente você tem mais recursos. Todos os patrocinadores estavam interessados em fazer um trabalho com atletas brasileiros, porque a exposição de marca quando se compete em casa é muito maior”, afirmou Agberto. “É fato que vai diminuir o patrocínio.”

O dirigente, contudo, não quer que o corte de investimentos sirva como desculpa. “Quando assumi, sabia que teríamos que fazer uma dieta (nos gastos)”, disse. “Mas às vezes as pessoas confundem fazer com ter dinheiro. Quando atletas da minha geração competiam, a gente não tinha um quarto das facilidades que se tem hoje. Não tinha os mesmos recursos, equipamentos esportivos e quantidade de competições.”

Agberto espera que os atletas compreendam a nova realidade, e disse que grande parte deles “não pode se queixar” com as condições atuais. “Se a gente conseguia fazer esportes na minha época – e ganhava algumas medalhas também –, você não pode atribuir a evolução e o crescimento do esporte só baseado em recursos financeiros.”

GESTÃO

O maior objetivo do dirigente é melhorar a gestão das confederações, muitas delas envolvidas com demandas judiciais ou enfrentando interrupção de repasses públicos por problemas na prestação de contas.

“Apesar de não sermos uma entidade pública, recebemos dinheiro público e somos auditados como se fôssemos uma organização estatal. Isso quer dizer que todas as vezes que a gente passa recursos para as confederações elas têm que fazer uma parte de compliance igual as que a gente tem, de prestação de contas”, explicou.

Agberto Guimarães tem se reunido com dirigentes de diferentes confederações para alinhar o planejamento visando os Jogos de 2020. E, apesar de as ações para a Olimpíada de Tóquio se intensificarem só a partir do próximo ano, o aviso já está sendo dado.

“Não dá para investir em tudo. Nem os melhores países do mundo conseguem fazer investimento em todos os esportes, em todas as provas. Ninguém é bom em tudo. É hora de entender em que nós somos bons”, afirmou. “Vamos ver onde podemos ajudar as confederações a otimizar os recursos, a ser mais eficaz com os gastos e a fazer as melhores escolhas. Não dá pra fazer tudo ao mesmo tempo.”

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Meta de pódios para Tóquio-2020 deve ficar em ‘segredo’

Objetivo a ser seguido pelo Brasil nos Jogos não deve ser tornado público

Marcio Dolzan, O Estado de S. Paulo

30 de janeiro de 2017 | 06h00

Apesar do menor investimento neste ciclo olímpico, o diretor executivo de Esportes do COB, Agberto Guimarães, espera um desempenho melhor dos atletas brasileiros nos Jogos Olímpicos de Tóquio-2020. “A gente tem que ter habilidade e inteligência para aproveitar o que temos e fazer o melhor, e não ficar só reclamando que não tem dinheiro”, pontuou. “Pra mim é importante desafiar o atleta.”

A meta de medalhas para a próxima Olimpíada não deverá ser tornada pública, diferentemente do que aconteceu com os Jogos do Rio-2016. Em 2014, o COB revelou que o objetivo era o Brasil no Top 10 do total de medalhas. Com 19 pódios, o País acabou em 12.º lugar.

“A meta provavelmente não vai ser da mesma forma”, declarou Agberto. A intenção dele é que, publicamente, o COB estabeleça um objetivo de melhora de performance dos atletas. “Se eu conduzir um trabalho com as confederações, e tivermos mais finalistas e mais medalhistas, a gente vai melhorar o ranking. Acho que é esse que tem que ser o foco. Quero que nossos atletas tenham uma performance melhor do que tiveram no Rio de Janeiro”, comentou Agberto.

O diretor também disse que a política de contratação de técnicos estrangeiros será mantida, mas alguns dos treinadores de fora do País que trabalharam no último ciclo olímpico deverão ser trocados.

“A troca é sempre saudável. Você fez um ciclo com um treinador e pode trazer outro, principalmente em esportes que dependem muito de uma estratégia de jogo”, disse. “O certo é que a gente quer continuar com esse trabalho.”

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