Leonhard Foeger|Reuters
Comitê Olímpico do Brasil quer evitar novos casos de doping Leonhard Foeger|Reuters

COB teme ausência de atletas em exames antidoping

Padrão internacional considera três faltas como teste positivo

Nathalia Garcia, O Estado de S. Paulo

30 de março de 2016 | 07h01

À medida que os Jogos Olímpicos do Rio se aproximam, a preocupação com desfalques na delegação brasileira aumenta. O que tem inquietado o Comitê Olímpico do Brasil (COB) no momento é a possibilidade de novos casos de doping. Muitos atletas têm se ausentado nos testes surpresa realizados pela Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem (ABCD). Em caso de três faltas, o teste é considerado positivo. 

Os esportistas posicionados entre os 50 melhores do mundo de cada modalidade devem se cadastrar pela internet no sistema ADAMS, para gerenciar e a administrar o controle de dopagem. Pela ferramenta, o atleta precisa informar sua localização a cada três meses e fornecer uma data para receber a visita de uma "autoridade de teste". 

Se os brasileiros não estiverem presentes em três visitas dos oficiais para coleta da urina ou sangue em 12 meses, a falta será considerada como violação às regras antidopagem. "Minha maior preocupação nesse momento são as faltas. É a autoridade ir fazer o teste e não encontrar o nosso atleta. Se ele leva três punições, é considerado positivo", explica Marcus Vinícius Freire, diretor executivo de Esportes do COB.

De acordo com Freire, os casos aumentaram porque a quantidade de testes também cresceu. "É matemático. Quanto mais testes você faz, mais faltas acontecem", analisa. O representante do COB não revelou nomes dos atletas envolvidos ou o número de faltas. 

Neste mês, a Agência Mundial Antidoping (Wada, na sigla em inglês) reconheceu que o Brasil adequou sua legislação antidoping e não corre mais risco de ter o laboratório descredenciado. O País será o responsável pelos exames dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos. O Laboratório Brasileiro de Controle Antidoping (LBCD), sediado no Rio de Janeiro, ganhou a chancela em maio de 2015.

Quando o assunto são os resultados positivos pelo uso de substâncias proibidas, Marcus Vinícius não é condescendente. "Sou muito forte contra o doping. Se o teste deu positivo, tem de tomar pancada mesmo e ficar fora. Sou radical."

CASO CONFIRMADO

A Confederação Brasileira de Atletismo divulgou que a contraprova solicitada por Ana Cláudia Lemos acusou a presença da substância proibida Oxandrolona, um esteroide anabolizante. Com o resultado das amostras "A" e "B", a atleta foi suspensa preventivamente e aguarda "as providências cabíveis" do Superior Tribunal de Justiça Desportiva do Atletismo.

Ana Cláudia foi pega em teste realizado fora de competição, durante o Camping Nacional de Treinamentos dos Revezamentos, em fevereiro, no Rio. Ela tem índice olímpico para os 200 metros rasos e os 100 m.

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COB reforça uso de camisetas de manga comprida na Olimpíada

Brasil também investe em prevenção de lesões e trabalho mental

Nathalia Garcia, O Estado de S. Paulo

30 de março de 2016 | 07h01

O Rio de Janeiro registrou, até o dia 22 de março, 235 casos suspeitos de chikungunya (26 confirmados), 4.289 notificações do vírus zika e 28.611 casos de dengue. Assim, cresce o temor de que os surtos das doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti possam afetar os atletas durante os Jogos Olímpicos do Rio.

Diante dessa situação crítica, o Comitê Olímpico do Brasil (COB) pediu à fornecedora de uniformes da delegação brasileira, a Nike, que aumente a distribuição de camisetas de manga comprida. "A gente tem feito o que a população inteira do Brasil está fazendo. Recomendamos usar repelente, manga comprida, ar-condicionado ou tela", explicou Marcus Vinícius Freire, diretor executivo de Esportes do COB.

Outro investimento do COB nessa reta final da preparação olímpica é a prevenção de lesões. Marcus Vinícius salienta que os atletas que ainda buscam a classificação para os Jogos do Rio estão vulneráveis ao esforço excessivo e vê o primeiro semestre de 2015 como "assustador" devido às baixas em diversos esportes.

"Temos muita preocupação com ciência do esporte. Disputar a vaga faz você ir até o máximo, facilitando o aparecimento de lesão. Estamos trabalhando a prevenção com a turma de fisioterapia, medicina e bioquímica, que faz testes para ver quem tem mais probabilidade de lesão ou menos."

Além da questão física, o COB também tem trabalhado o lado psicológico dos atletas para evitar um "7 a 1" na Olimpíada. "A gente continua reforçando as vantagens e desvantagens de jogar em casa. Temos uma equipe multidisciplinar - psicólogo, psiquiatra e terapeuta. Temos tido um resultado muito bom, está surtindo efeito de um trabalho de longo prazo. Não adianta querer trabalhar com psicólogo no dia que a gente perde um jogo ou na véspera da final", comenta Freire.

 

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