Abelardo Mendes Jr/ rededoesporte.gov.br
Seleção feminina de handebol conquista a vaga olímpica no Pan Abelardo Mendes Jr/ rededoesporte.gov.br

COB vê potencial para ter 300 atletas brasileiros nos Jogos Olímpicos de Tóquio

Delegação do País pode ser a maior da história para um evento realizado fora de casa

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

06 de janeiro de 2020 | 04h40

O Comitê Olímpico do Brasil (COB) pretende classificar para os Jogos de Tóquio, que serão disputados de 24 de julho a 9 de agosto, a maior delegação de sua história para um evento fora do País. O maior grupo foi enviado para a edição de Pequim, em 2008, com 277 atletas. Isso sem considerar a competição em casa, no Rio, quando o Brasil teve 465 competidores.

“Nós temos potencial para superar a marca de 300 atletas. O que vai balizar muito isso é o futebol masculino, que vai buscar sua classificação agora, e as disputas do Pré-Olímpico de basquete, no masculino e no feminino”, explica ao Estadão Jorge Bichara, diretor de Esportes do COB. No futebol seriam mais 18 vagas e no basquete, mais 12 em cada naipe.

O time masculino de futebol vai disputar a seletiva na Colômbia, a partir de 18 de janeiro. Duas vagas para Tóquio estão em jogo. Depois será a vez das mulheres do basquete, que encaram um quadrangular de 6 a 9 de fevereiro em Bourges, na França. São três vagas para as anfitriãs, Austrália, Porto Rico e Brasil. Chances são grandes de carimbar o passaporte. Já no masculino, a situação é mais delicada e a seleção disputa em Split, na Croácia, entre 23 e 28 de junho, a única vaga da sede contra potências como a própria Croácia, Alemanha e Rússia, entre outros.

As classificações dos esportes coletivos ajudam a dar um salto na quantidade de atletas da delegação. O Brasil fechou 2019 com 152 vagas para os Jogos de Tóquio, na 14.ª posição entre todos os países. Os donos da casa Japão, Estados Unidos, Austrália, Grã-Bretanha e China são as nações com maior número de classificados para a Olimpíada.

Do ponto de vista do atleta, já ter a presença garantida com tanta antecedência para uma competição importante dessas ajuda do ponto de vista psicológico, mas na parte do treinamento quase não interfere. “Para mim não mudou nada. Estou trabalhando muito e como planejado. Meu foco está nos Jogos Olímpicos e a máxima preparação é fundamental para a conquista do meu resultado”, diz ao Estadão Ana Sátila, da canoagem slalom.

Aos 23 anos, ela vai para sua terceira edição da Olimpíada. “Estou muito feliz por já ter me classificado. Quero dar o meu melhor durante os Jogos e sair de Tóquio contente com a minha navegação. Espero conseguir colocar no dia da competição tudo que eu tenho me dedicado e treinado, independentemente do resultado que virá.”

Quem também carimbou seu passaporte foi Hugo Calderano, destaque do tênis de mesa e sétimo do ranking mundial. “Minha preparação continua a mesma. O foco principal é continuar evoluindo para chegar em Tóquio no nível mais alto possível”, afirma. “O objetivo nos Jogos é brigar por uma medalha. O nível do tênis de mesa mundial está muito equilibrado e muitos atletas também têm essa meta, mas o principal é me preparar da melhor forma possível e aproveitar as oportunidades que vierem”, continua.

Segundo Bichara, não existe um modelo de preparação para ser usado por todos os atletas. Cada um precisa ver o que é melhor, sem alguma fórmula mágica. “A gente bate na tecla da individualização da preparação para o formato de competição que vai disputar. Eu lembro da Kayla Harrison, que ficou disputando eventos até perto da Olimpíada do Rio. Ela queria estar no ritmo de competição, chegou no auge da forma e foi ouro. Já o Jesus Morlán, técnico da canoagem, competia uma vez por ano, duas no máximo, e dizia que é esporte de relógio, então que poderia fazer aqui ou lá que dava na mesma”, conta.

 

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Número de mulheres pode superar o de homens pela primeira vez na história

O Brasil nunca teve uma delegação mais feminina que masculina na Olimpíada e em Tóquio poderá quebrar esse tabu

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

06 de janeiro de 2020 | 04h41

O Brasil nunca teve uma delegação feminina maior que a masculina na história dos Jogos Olímpicos. E isso pode ocorrer em Tóquio, caso os esportes coletivos dos homens não consigam suas vagas. No momento, o grupo tem 80 mulheres garantidas e 65 homens. Para totalizar os 152 atletas ainda restam sete vagas no hipismo, mas como é uma modalidade mista, ainda não dá para saber quem vai.

“A gente tinha a expectativa de alcançar a vaga na Olimpíada com o handebol masculino no Pan também, mas ela não veio. E entre as mulheres o rúgbi teve uma boa conquista, o futebol feminino confirmou por antecipação”, comenta Jorge Bichara, diretor de Esportes do COB. E são justamente os esportes coletivos que ajudaram a dar o salto de vagas para as mulheres.

Nos Jogos de Atenas, em 2004, 122 mulheres e 125 homens representaram o Brasil naquela edição dos Jogos. Foi a maior participação feminina em porcentagem (49,39%). O maior contingente absoluto foi nos Jogos do Rio, em 2016, com 209 mulheres (para 256 homens). E fora de casa, número mais expressivo foi em Pequim-2008, com 133 mulheres para 144 homens.

Apesar de no momento o grupo feminino manter a hegemonia, na contagem final a situação pode mudar, pois além dos esportes coletivos, na natação e no atletismo a presença de homens deve ser bem maior. Por outro lado, algumas modalidades precisam conseguir a vaga, como a ginástica rítmica e o nado artístico. Para Bichara, os atletas precisam manter o ritmo porque será uma temporada importante. “Foi um ano positivo. Tivemos 22 pódios entre todas as modalidades, mas agora começa tudo de novo.”

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