Alex Ferro/ Rio-2016
Alex Ferro/ Rio-2016

COI cobra Rio/2016 por crise financeira no Brasil

Diante de situação econômica e impeachment, entidade pede garantias de que Jogos no Rio não serão afetados

Jamil Chade, correspondente em Genebra, O Estado de S. Paulo

09 de dezembro de 2015 | 11h26

Os organizadores dos Jogos Olímpicos do Rio, em 2016, negociam um corte nos gastos do evento. Nesta quarta-feira, em Lausanne, o presidente da Rio2016, Carlos Arthur Nuzman, apresentou ao COI (Comitê Olímpico Internacional) os avanços nas obras do parque olímpico e destacou o fato de que os atrasos que chegaram a ser criticados publicamente pelo Rio foram superados. Hoje, salvo algumas das obras, a maioria delas está em dia.

Mas Nuzman foi cobrado por um desafio ainda maior: a instabilidade financeira e política do Brasil. Vivendo a pior crise econômica no País em décadas, com presidentes de empresas de construção na prisão e um governo enfrentando um processo de Impeachment, a Rio2016 foi questionado sobre como o novo cenário brasileiro impacta no evento símbolo do COI. "Precisamos ajustar tudo e isso é normal", disse Carlos Arthur Nuzman, presidente da Rio2016. Eduardo Paes, prefeito do Rio, também participou da reuniao, por vídeo link. Em sua intervenção, ele teria esclarecido a situação econômica.

Questionado se a crise foi tratada, Nuzman desconversou. "Tentamos explicar a situação. O importante é que teremos grandes jogos e estamos explicando o que estamos fazendo", disse. "Nada vai afetar os atletas e a organização dos Jogos Olímpícos. Estamos trabalhando por sete anos."

Nuzman garante que o dinheiro público vai ser disponibilizado. Mas o percurso final na preparação do Rio vai coincidir com um acirramento decisivo na definição do processo de Impeachment e o temor dos dirigentes estrangeiros é de que o governo abandone os Jogos da lista de suas prioridades. Em termos econômicos, o medo é de que a situação do País impeça a entrada de recursos. "Quando demos os Jogos ao Brasil em 2009, parte da motivação foi a situação de expansão econômica e o envolvimento direto do ex-presidente Lula", contou um alto funcionário do COI ao Estado. "Hoje, o Brasil está em recessão e o evento não está mais no radar das autoridades, que tentam sobreviver no cargo."

Os organizadores também terão de negociar um ajuste nas contas do evento. A Rio2016 deixou claro que não aceitará ultrapassar a marca de R$ 7,4 bilhões. Mas, quando recebeu todas as exigências e planos de cada uma das federações esportivas, parceiros comerciais e do COI, a constatação dos organizadores era de que a conta não fechava. Agências de notícia como a Associated Press e a Bloomberg apontam que um corte de cerca de R$ 2 bilhões foi obrigado a ser implementado. Mas, Mário de Andrada, diretor de Comunicações da Rio2016, rejeita o valor citado.

"A informação é incorreta. Simplesmente, incorreta", disse. "Existe um plano de economia. Mas não chega nem na metade deste valor", apontou. "Temos um compromisso de realizar os Jogos com recursos privados e, portanto, com um orçamento equilibrado. Estamos discutindo agora diferentes opções de economia", explicou.

Segundo o Estado apurou, a cerimônia de abertura terá seu custo reduzido, assim como os investimentos nos eventos-teste serão controlados. Andrada ainda explicou ao Estado que, em cada apartamento dos atletas na Vila Olímpica, um dos dois monitores de televisões previsto será retirado. Também não haverá condição para que cada um dos membros do COI, com mais de cem pessoas, tenham um carro com motorista à sua disposição durante o evento. "Os dirigentes terão de compartilhar os carros", disse Andrada. Os restaurantes para os dirigentes também terão de ser compartilhados com os atletas e alguns dos privilégios serão reduzidos.

A Rio2016 chegou a ensaiar uma recusa em pagar pelo ar condicionado na Vila Olímpica, mas acabou desistindo da ideia. O que o COI, porém, quer saber é se esses cortes afetarão ou não as competições e as condições de preparação e alojamento dos atletas. Andrada aponta que o controle de gastos é algo que está em linha com a estratégia do COI, chamada de Plano 2020, de dar uma nova dimensão mais sustentável para os Jogos. Mas se teoricamente a redução de gastos é aplaudida, cada item retirado da planilha precisa ser negociado com o COI e federações esportivas. 

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