Sebastien Nogier/EFE
Sebastien Nogier/EFE

COI adota reforma inédita para Olimpíadas e exige transparência

Sentindo efeitos das críticas à Copa no Brasil e Olimpíada em Sochi, entidade adota medidas para diminuir os custo do megaevento

Jamil Chade - Correspondente em Genebra, O Estado de S. Paulo

08 de dezembro de 2014 | 10h58

Na esperança de não ver a Olimpíada sequestrada por ditaduras pelo mundo ou por emergentes endinheirados, o Comitê Olímpico Internacional adotou nesta segunda-feira, em Mônaco, sua maior reforma em décadas. Pelas novas regras, eventos podem ocorrer até mesmo em dois países e a meta é a de baratear sua organização. O contrato entre a entidade a cidade sede ainda precisa ser transparente, ao contrário do que ocorre com o Rio 2016.

As medidas foram aprovadas com a meta de reconquistar a opinião pública mundial que, nos últimos anos, tem feito duras críticas contra os mega-eventos esportivos, como a Copa e os Jogos Olímpicos. Em diversos países, as populações tem se negado a receber os eventos.

A crise foi reforçada depois das críticas que ecoaram em todo o mundo por conta dos gastos sem precedentes na Copa do Mundo do Brasil e dos Jogos de Inverno em Sochi. Em ambos os casos, os países mostraram que estão dispostos a gastar sem consultar sua população o que cidadãos noruegueses se recusam a financiar.

Antes que comece a sofrer financeiramente por conta disso, o COI decidiu mudar. Agora, a meta é a de integrar as Olimpíadas em cidades e deixar de fazer imposições consideradas como absurdas. Na reforma, o COI se compromete a usar estruturas existentes em cidades, não exigir novas obras e aceitar as condições locais. "Essa é uma real modernização do evento", comemorou Thomas Bach, presidente do COI.

Na prática, uma modalidade poderia ser disputada mesmo em outra cidade se a sede do evento não contar com condições ou se, num local próximo, a estrutura já existir. por uma questão de sustentabilidade, o COI permitiria até mesmo que uma modalidade ocorresse em um país vizinho.

A esperança dessa modernização é a de atender a demandas sociais e tornando mais fácil a apresentação de candidaturas, principalmente em democracias. Ou seja, se uma cidade não tem um campo de golfe, ele não precisa construir um novo se houver outra opção nas proximidades.

Também num esforço de evitar os protestos no Brasil, a cidade escolhida terá de cumprir exigências de transparência em suas contas e garantir "boa governança". Além disso, o COI se dá o direito de convidar uma cidade para se apresentar, e não apenas receber candidaturas. As medidas foram tomadas depois que, para os Jogos Olímpicos de Inverno de 2022, seis cidades de países democráticos abandonaram a corrida, entre elas Olso, Estocolmo, St. Moritz e Cracóvia. 

Todas argumentaram a mesma coisa: não tinham como competir com os recursos de países emergentes e governos autoritários que injetam bilhões ao evento sem prestar contas à população. Na Europa, os cidadãos foram às urnas e votaram contra os projetos olímpicos de suas cidades. Ficaram no páreo para 2022 apenas Pequim e Almaty, no Casaquistão, ambos em regimes que jamais consultariam suas populações nem em condições normais. 

Maior atenção será dada à questão dos direitos humanos, um tema que se transformou em uma polêmica em Sochi em 2014. Pelo novo texto, não se pode discriminar atletas ou torcedores por conta de "orientação sexual", recado claro aos russos. Exigências ambientais e trabalhistas também serão feitas, depois que o Catar passou a ser alvo de acusações para a Copa de 2022 diante do número de operários mortos.

Em relação aos esportes, o COI acaba com o limite de atletas, na esperança de atrair novas modalidades que possam trazer uma audiência mais jovem e dinheiro. Na lista estão surf, alpinismo e outras. A entidade também avisa que vai incentivar competições mistas, com homens e mulheres atuando no meio torneio. Isso só é uma realidade no hipismo e na vela. A meta é a de incentivar uma maior inclusão das mulheres e atingir a meta de 50% de competidoras em cada evento.

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