COI alerta sobre veto a manifestações políticas em Pequim 2008

Segundo a entidade, medidas visam a conter protestos depois das operações militares da China, no Tibete

KAROLOS GROHMANN, REUTERS

19 de maio de 2008 | 12h52

O Comitê Olímpico Internacional (COI) afirmou aos Comitês Olímpicos Nacionais que seus atletas não devem realizar declarações políticas durante os Jogos Olímpicos de Pequim. À medida que aumentam os temores de que ocorram protestos contra a China depois das operações militares de repressão realizadas no Tibete, as redes de TV devem intensificar seus esforços para impedir, durante os Jogos, a divulgação de manifestações eventualmente feitas por torcedores, atletas ou autoridades. A Rede de Transmissão Olímpica de Pequim (BOB, na sigla em inglês), uma empresa formada pelos organizadores do evento e os Serviços de Transmissão Olímpicos, do COI, é a responsável por produzir as imagens de todas as competições e por divulgá-las para os detentores dos direitos de transmissão. "A rede de difusão olímpica precisa proteger os Jogos e nós ouvimos esse tipo de coisa em todas as edições das Olimpíadas", disse na segunda-feira um cinegrafista que participou de várias coberturas do evento nos últimos anos. O profissional não quis ter sua identidade revelada. "Não há chance nenhuma de um protesto ser mostrado ao vivo em Pequim se o BOB estiver no comando", disse. Em um comunicado enviado no começo deste mês para todos os Comitês Olímpicos Nacionais, o COI disse que os atletas deveriam respeitar a regra 51.3 da Carta Olímpica, que determina que questões políticas não devem ser abordadas durante os Jogos. "A conduta de todos os presentes nas instalações [olímpicas] diz respeito a todos os atos, reações, atitudes ou manifestações de qualquer tipo feitos por uma pessoa ou grupo de pessoas, incluindo, mas não se limitando a, sua aparência, suas roupas, seus gestos e suas declarações, por escrito ou orais", afirmou o COI. Alguns países disseram que seus esportistas têm a liberdade de manifestar suas opiniões contanto que o façam fora das instalações olímpicas.

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