Fabrice Coffrini|AFP
Fabrice Coffrini|AFP

COI 'confia na inocência' de seu auditor sob suspeita

Fredericks, que era auditor da eleição, teria recebido dinheiro no dia da votação, em 2009

Jamil Chade, correspondente em Genebra, O Estado de S.Paulo

03 de março de 2017 | 12h52

As revelações sobre uma suspeita de compra de votos por parte do Rio de Janeiro levam o COI a garantir que confia que um de seus colaboradores denunciados é “inocente”. O auditor dos votos da escolha da sede teria recebido dinheiro no dia da eleição da cidade brasileira.

Em março de 2016, o presidente do COI, Thomas Bach, afirmou que não havia provas até então sobre corrupção relativa à atribuição dos Jogos de 2016 e 2020. Nesta sexta-feira, em um comunicado, o porta-voz do COI, Mark Adams, informou que a entidade “toma nota das alegações sérias feitas no jornal Le Monde relacionadas ao voto para a escolha da sede dos Jogos de 2016”. O COI é parte civil no processo em Paris contra Lamine Diack.

“Continuamos totalmente comprometidos em esclarecer essa situação, trabalhando em cooperação com o procurador”, disse Adams. “Essa cooperação já levou ao fato de que Lamine Diack, que foi membro honorário do COI, não tenha mais qualquer função dentro da entidade desde novembro de 2015”, afirmou. 

“O COI entrará em contato com as autoridades judiciais francesas de novo para receber informações sobre as quais a reportagem do Le Monde estão baseadas”, prometeu o porta-voz. Apesar de garantir a cooperação, o COI informou que seu colaborador Frankie Fredericks já entrou em contato com o COI para explicar sua inocência. “O COI confia no fato de que Fredericks apresentará todos os elementos para provar sua inocência contra essas alegações feitas pelo Le Monde”, disse. 

De acordo com os franceses, Diack Jr. transferiu US$ 299,3 mil pela empresa Pamodzi para a empresa offshore Yemli Limited, em 2 de outubro de 2009. A empresa tinha uma relação direta com Fredericks, que foi um dos monitores do COI no momento do voto nas eleições de 2009 e vencidas pelo COI. Fredericks, que também é o presidente da comissão de avaliação dos Jogos de 2024, garantiu que o dinheiro não tinha qualquer relação com o Rio.

“De acordo com Fredericks, o suposto pagamento foi feito pela Pamodzi Sports Consulting, administrada por Papa Massata Diack e em conexão com a promoção, desenvolvimento de propriedades esportivas relacionadas com o programa de marketing da IAAF”, disse o COI, que indicou que Fredericks entregou dados ontem mesmo ao Comitê de Ética da IAAF. 

O que o COI não explicou é o fato de que Fredericks estava dois anos sem receber o dinheiro de Diack e que acabou recebendo no mesmo dia da escolha da sede de 2016. Imediatamente depois que uma relação foi feita entre o pagamento e o voto para 2016, o COI informou que Fredericks também acionou o Comitê de Ética do COI, que está “acompanhando todas as alegações para esclarecer totalmente esse caso”. 

No ano passado, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, chegou a sugerir que a escolha das sedes dos Jogos Olímpicos era manipulada. Numa entrevista publicada na New York Magazine, ele não deixa dúvidas sobre o que pensa do COI. Seu ataque visava especificamente a escolha da sede de 2016, que acabou ficando com o Rio de Janeiro.

Obama foi um dos promotores da candidatura de Chicago, seu berço político e a cidade de sua mulher, Michelle. Em 2009, o COI escolheria quem ficaria com o direito de sediar os Jogos de 2016 e uma reunião em Copenhague levou ao pequeno país europeu o rei da Espanha, Juan Carlos, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Barack Obama, cada um servindo de cabo-eleitoral para suas cidades. 

Segundo Obama, um "comitê muito eficiente foi para Copenhague para fazer sua apresentação". "Michelle tinha ido com eles e eu recebi uma chamada, acho que antes das coisas terem terminado, indicando que todos pensavam que se eu fosse la, teríamos uma boa chance de conseguir e que valeria a pena essencialmente fazer um dia de viagem até lá", contou o presidente. “Assim, decidimos viajar”, completou.

“Subsequentemente, acho que fomos informados de que as decisões do COI são similares às da Fifa: um pouco arranjadas”, disse Obama. “Não passamos da primeira fase, apesar de que, por todos os critérios objetivos, a candidatura americana era a melhor”, afirmou.  Obama conta que, já no vôo de volta para Washington, sua delegação sabia que Chicago não tinha vencido, antes mesmo de os votos terem sido abertos. 

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