COI defende sua neutralidade política perante a China

O Comitê Olímpico Internacional (COI),criticado por não se manifestar contra a situação dos direitoshumanos na China antes dos Jogos de Pequim, defendeu naquinta-feira com vigor sua política de não-envolvimento napolítica. Hein Verbruggen, membro do COI, qualificou como"flagrantemente inverídico" um relatório da AnistiaInternacional que concluiu nesta semana que a realização daOlimpíada na China piorou a situação dos direitos humanos. O holandês, presidente da comissão de inspeção do COI paraos Jogos de Pequim, também criticou os políticos que propuseramboicotes à cerimônia de abertura, mas fazem grandes negócioscom os chineses. "Não somos uma organização política, então a despeito detodas as críticas que recebemos não tenho medo de lhes dizerque não devemos nos manifestar em questões políticas", disseele em entrevista coletiva ao encerrar a última inspeção do COIem Pequim. Apesar da recente repressão a protestos no Tibete,Verbruggen afirmou: "Dizer que os Jogos contribuem com um piorana situação dos direitos humanos --eu qualificaria isso comoflagrantemente inverídico." Antes, o COI divulgara nota dizendo que não cabe à entidade"monitorar os direitos humanos ou pressionar os governos pararealizar mudanças sociais, econômicas ou políticas." "Não influenciamos --nem mesmo tomamos partido -- emquestões que dizem respeito a assuntos soberanos fora do nossomandato", diz o texto. "A visibilidade e o simbolismo dos Jogos Olímpicos lança umholofote sobre quaisquer atividades do país anfitrião e chama aatenção para questões não-esportivas. Conceder os JogosOlímpicos à China elevou o diálogo internacional a respeito dasituação no Tibete", acrescentou a nota. Verbruggen disse que o envolvimento na política interna dospaíses anfitriões de Olimpíadas deixaria os Jogos propensos aomesmo tipo de boicote que prejudicou as edições de Moscou-80 eLos Angeles-84. Ele acrescentou que qualquer decisão de boicotar acerimônia de abertura ou as competições deveria partir deatletas, não de políticos. "Tenho pouquíssima admiração por políticos que vêm aquiassinar grandes contratos empresariais e três ou quatro mesesdepois dizem: 'Talvez eu não venha para a cerimônia deabertura"', afirmou. "Os atletas têm informação mais do que suficiente parafazer sua própria cabeça, e não cabe a algum político fazer usobarato do esporte ao mesmo tempo em que está assinando grandescontratos empresariais." (Reportagem adicional de Karolos Grohmann em Atenas e IanRansom)

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