COI diz que imprensa deveria ter sido informada das restrições

Para Anistia Internacional, censura a sites considerados polêmicos é uma 'violação dos direitos humanos' na China

Paul Radford, Reuters

31 de julho de 2008 | 10h18

O Comitê Olímpico Internacional (COI) afirmou nesta quinta-feira, que os jornalistas internacionais deveriam ter sido avisados de antemão de que não teriam acesso total à internet durantes as Olimpíadas.     Veja também:  China tem de cumprir promessas em direitos humanos  China: censura na internet se limita a 'informação ilegal' Kevan Gosper, chefe de imprensa do COI, disse que, a exemplo dos demais jornalistas, também foi pego de surpresa pela descoberta de que alguns sites "delicados" estão bloqueados na China - contrariando a promessa dos organizadores locais de que haveria plena liberdade de trabalho para a imprensa durante os Jogos. "Está claro que eu forneci informações incompletas em nome do COI", disse Gosper, afirmando nunca ter sido avisado das discussões sigilosas entre o COI e o comitê organizador local a respeito das restrições a sites que não sejam diretamente ligados às Olimpíadas. "Se eu e a imprensa internacional tivéssemos sido avisados antes deste entendimento de que certos sites seriam inacessíveis, não teríamos sido pegos de surpresa, como eu próprio fui", disse ele.     A entidade Anistia Internacional condenou as restrições à internet durante os Jogos, o que estaria "comprometendo direitos humanos fundamentais e traindo os valores olímpicos". "Esta flagrante censura à imprensa soma mais uma promessa violada que abala a afirmação de que os Jogos ajudariam a melhorar os direitos humanos na China", disse nota assinada por Mark Allison, pesquisador da Anistia para o Extremo Oriente. Sun Weide, porta-voz do Bocog (comitê organizador de Pequim) disse que a censura não impedirá os jornalistas de cobrir os Jogos, mas admitiu que não haverá acesso a alguns sites, como os da seita Falun Gong, "uma religião falsa que foi proibida pelo governo chinês". "Segundo a lei chinesa, a Internet não pode ser usada para transmitir informações que sejam ilegais, como promover o culto maligno Falun Gong. Nada pode aparecer que ameace o interesse nacional", disse Sun a jornalistas, nesta quinta-feira. Nos últimos meses, o Bocog havia dado reiteradas garantias de que haveria acesso normal da imprensa à Internet em Pequim. (Reportagem adicional de Ben Blanchard, Lindsay Beck e Chris Buckley)

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