Petros Giannakouris| AP
Petros Giannakouris| AP

COI diz que brasileiros devem escolher quem vai receber a tocha

Thomas Bach nega que decisão seja de Comitê Internacional

Jamil Chade, correspondente em Genebra, O Estado de S.Paulo

20 de abril de 2016 | 12h51

Caberá aos brasileiros decidir quem vai receber a tocha olímpica em Brasília, no começo de maio, e não ao COI. Quem faz o alerta é o presidente da entidade olímpica, Thomas Bach. Em declarações exclusivas ao Estado, ele indica que de fato ainda não sabe a quem a tocha vai ser entregue uma vez que desembarque em Brasília. 

A crise política nacional deixou os organizadores do protocolo sem saber o que vai ocorrer quando, de forma oficial, a tocha embarcar da Europa em direção à Brasília. Originalmente, a ideia era de que ela seria recebida pela presidente Dilma Rousseff.

"O COI vai repassar isso ao Brasil e caberá aos brasileiros decidir quem vai receber a tocha em nome do país, e não ao COI", afirmou. Bach acredita que o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff terá um "impacto limitado". "Já entramos na fase operacional e por isso acho que o impacto será menor", disse. 

Nesta quinta-feira, a entidade dará início ao que seria, simbolicamente, o períoontdo olímpico, com a tocha começando sua turnê a partir de Olímpia. Ao Estado, conselheiros do presidente do COI, Thomas Bach, indicaram que ele vai usar a cerimônia na Grécia para pedir que os brasileiros usem a tocha como forma de unir de novo o país.

Mas, nesta terça em Lausanne, a crise política estava em todas as conversas. " Queremos saber sobre qual é o impacto e possíveis riscos do impeachment para o evento ", questionou Matt Smith, da Federação de Remo, durante uma espécie de sabatina que viveu a Rio2016 na Suíça. 

Carlos Arthur Nuzman, presidente do Comitê Organizador, respondeu que " não teremos qualquer tipo de problemas ". Após o evento, procurado pelo Estado, Nuzman indicou que não falaria do impeachment. Mas questionado sobre quem levaria a tocha olímpica quando ela chegar ao Brasil, fez um silêncio e apenas respondeu : "isso não me diz respeito ". "Quando chegarmos, vamos ver. Eu não vou ficar falando sobre isso", disse. 

Os conselheiros de Bach ainda revelaram ao Estado que, se por anos o COI foi obrigado a suplicar a atenção do governo federal aos Jogos, agora Brasília mudou "radicalmente" de postura, na esperança de usar a imagem do evento para reduzir a tensão política.

Se o impeachment em si não seria um problema, em um discurso em Lausanne, Bach não escondeu sua preocupação na terça e admitiu que a crise no Brasil vai fazer com que a etapa final da preparação dos Jogos Olímpicos do Rio seja "desafiadora". "Sabemos que a situação política e econômica no Brasil continuará a fazer a preparação final ser desafiadora", indicou o presidente do COI. "Apesar dos desafios, continuo convencido de que o Rio-2016 será um verdadeiro espetáculo." Para ele, existem dois motivos para isso. O primeiro é o fato de a Olimpíada ainda manter "forte apoio popular".

O segundo fator é a solidariedade que a família olímpica tem demonstrado, aceitando cortes e reduzindo exigências. "Vamos fazer esse evento juntos", afirmou Bach. Para ele, a fase final será "a mais desafiadora". "Isso é ainda mais o caso diante do ambiente atual no Brasil", disse. "À luz dessa situação sem precedentes, é importante que estejamos unidos."

O dirigente agradeceu às federações esportivas pela solidariedade que tem demonstrado com o Brasil. "Todos estão fazendo um esforço para garantir o sucesso dos Jogos nessas circunstâncias muito difíceis no País-sede", disse.  "Os Jogos vão mandar um sinal de esperança ao mundo em um momento de turbulência. Essa mensagem de esperança é talvez o mais importante legado que o evento pode levar ao Rio, ao Brasil e ao mundo", completou.

Conselheiros de Bach ainda indicaram ao Estado que apenas um cenário ameaçaria retirar do Brasil hoje os Jogos Olímpicos: um golpe militar. 

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