Franck Robichon/Reuters
Franck Robichon/Reuters

COI e organizadores lamentam renúncia de Abe, peça-chave para Tóquio sediar Jogos

Entidades esportivas afirmam que ex-primeiro-ministro cumpria papel importante como gestor

Redação, Estadão Conteúdo

28 de agosto de 2020 | 13h49

O primeiro-ministro japonês Shinzo Abe foi uma estrela da cerimônia de encerramento da Olimpíada do Rio, em 2016, ao desfilar diante do público, no Maracanã, como o personagem "Super Mario", do jogo de videogames da Nintendo, com o convite bem-humorado para que as pessoas fossem ao Jogos de Tóquio sendo um grande sucesso.

Porém, Abe não será uma figura central quando a Olimpíada, que teve seu início adiado para 23 de julho de 2021, começar. Afinal, anunciou nesta sexta-feira que vai renunciar ao cargo por causa de um problema crônico de saúde, só esperando a definição do sucessor para deixar de ser o primeiro-ministro do Japão.

Abe estava na primeira fila em 2013 em Buenos Aires quando o então presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI) Jacques Rogge abriu um envelope para anunciar Tóquio como o anfitrião dos Jogos de 2020, derrotando Istambul na votação final. Foi ele quem garantiu aos membros do COI na época que o colapso de três reatores nucleares em 2011 após um terremoto e tsunami estavam "sob controle", embora o Japão ainda lide com os efeitos do desastre em Fukushima.

Ele sai do cargo em um momento de indefinição sobre a realização dos Jogos. O COI e os organizadores locais asseguram que o evento ocorrerá, mas até agora não disseram como isso pode acontecer. Há questionamentos sobre quarentenas, presença do público e a logística para levar 15.400 atletas olímpicos e parlímpicos com segurança a Tóquio, além de treinadores, dirigentes e a imprensa, com o controle do surto do coronavírus em estágios bem diferentes nos países e territórios dos 206 comitês olímpicos nacionais.

"É com muita tristeza que soube da renúncia do primeiro-ministro", disse Bach, que atribuiu a Abe o retorno da Olimpíada ao Japão após a realização do evento de verão em Tóquio, em 1964, e do de inverno em Sapporo, em 1972. "Todos os atletas japoneses e os atletas de todo o mundo são muito gratos a ele", acrescentou.

Yoshiro Mori, ex-primeiro-ministro japonês e presidente do Comitê Organizador da Olimpíada de Tóquio, também deu crédito a Abe, garantindo que vai lhe pedir conselhos. "Esperamos a orientação do primeiro-ministro durante o restante de sua tempo no cargo e espero receber seu generoso apoio no futuro independentemente de sua posição oficial", disse em um comunicado.

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