Jonne Roriz/Exemplus/COB
Jonne Roriz/Exemplus/COB

COI não quer comprar briga com militares por causa da continência no pódio

No Pan de Toronto, em 2015, atletas brasileiros que iam ao pódio faziam continência

Jamil Chade, Nathalia Garcia e Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

05 de agosto de 2016 | 17h47

As cenas de atletas brasileiros no pódio, fazendo o sinal da continência, que ocorreu muitas vezes nos Jogos Pan-Americanos de Toronto, no ano passado, devem se repetir na Olimpíada do Rio de Janeiro. Mas este gesto militar constrange o Comitê Olímpico Internacional (COI), que em sua regra 50 diz que é proibido "qualquer manifestação de propaganda política, religiosa ou racial dentro das áreas olímpicas".

Oficialmente, esportistas que usem o pódio para fazer um gesto político ou de referência ao patrocinador podem ser suspensos, multados e até perder medalhas. Em 1968, Tommie Smith foi obrigado a devolver sua medalha depois que fez o gesto do movimento Black Power ao vencer sua prova nos Jogos. Nos bastidores, porém, o COI não quer comprar briga com os militares e seus atletas no Brasil.

Um dos pontos que fazem o COI evitar o conflito neste momento é que foram as Forças Armadas que salvaram parte dos organizadores do Jogos ao assumir o controle das entradas de instalações às vésperas do evento. Os militares, ao assumirem também toda a responsabilidade de segurança sem custos para os organizadores, passaram a ter prestígio dentro do COI.

Em 2015, na época do Pan de Toronto, a reportagem do jornal O Estado de S.Paulo questionou o COI sobre o gesto militar feito pelos atletas brasileiros durante a competição. Na época, a entidade indicou que esse não seria um evento do COI e que, portanto, não lhes caberia comentar.

Agora, o departamento de Comunicação do COI se limita a dizer que "nos Jogos Olímpicos, o COI vai sempre ter um bom senso ao analisar caso a caso as tais saudações militares. Claro que, neste momento, isso é apenas um cenário hipotético", explicou em nota.

Só que a situação hipotética do COI tem tudo para se tornar realidade. Dos 465 atletas do Time Brasil, 145 são atletas militares. E muitos já avisaram que pretendem fazer a continência caso ganhem alguma medalha. É o caso, por exemplo, da esgrimista Amanda Simeão. "Todo soldado brasileiro tem de prestar continência para a bandeira. É obrigatório. Se minha bandeira subir, vou fazer isso. É uma forma de respeito, que precisa ser vista de forma positiva, não como algo político", diz.

Segundo as Forças Armadas, que anualmente investem aproximadamente R$ 15 milhões em salários para os atletas militares de alto rendimento com recursos do Ministério da Defesa, o gesto no pódio não é obrigatório. "Não há nenhuma recomendação por parte das Forças Armadas para que os atletas prestem continência. O ato é uma iniciativa dos próprios atletas, sendo visto como forma de respeito e saudação por parte dos militares", afirmou em nota.

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