André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

COI pede votação de impeachment antes dos Jogos Olímpicos

Solicitação 'informal' é feita ao presidente Michel Temer

CLAUDIA TREVISAN / CORRESPONDENTE EM WASHINGTON, O ESTADO DE S.PAULO

28 de junho de 2016 | 13h22

O Comitê Olímpico Internacional (COI) pediu ao presidente interino, Michel Temer, que a votação do impeachment ocorra antes ou depois da realização dos Jogos, disse o CEO das Olimpíadas do Rio, Sidney Levy. Segundo ele, a solicitação foi "informal" e teve como objetivo evitar que a atenção da população brasileira seja desviada das competições.

"Ele não pode fazer nada", declarou o executivo, referindo-se a Temer. "Ele disse que temos de seguir o protocolo. É uma pena. Quando vamos ter Jogos Olímpicos no Brasil de novo?", perguntou nesta terça-feira em Washington. Levy viajou aos EUA para conceder uma série de entrevistas à imprensa americana, em uma tentativa de reverter a percepção internacional negativa em relação aos Jogos. O CEO disse que as conversas foram dominadas pelos riscos associados ao vírus zika.

"Nós rezamos para a que votação do impeachment aconteça antes do Jogos. Se essa oração não for respondida, esperamos que aconteça depois dos Jogos. Nós pedimos ao presidente pessoalmente, mas é algo ele não pode controlar. Isso depende do Congresso, do Senado", afirmou Levy durante evento na capital americana. "Nós adoraríamos que a população brasileira curtisse as Olimpíadas."

O CEO disse que todos os ex-presidentes brasileiros foram convidados para a cerimônia que dará início aos Jogos, entre os quais a presidente afastada, Dilma Rousseff. Levy ressaltou que nenhum deles confirmou presença até agora. Diante da incerteza que o processo de impeachment provoca, o executivo afirmou que a abertura das Olimpíadas será feita pelo "presidente do país, qualquer que seja o presidente".

Em sua opinião, a indefinição política pode atrapalhar "um pouco" a participação de chefes de Estado no evento. Dos cerca de 95 que são esperados para a cerimônia de abertura, pouco mais de 60 confirmaram presença. Levy espera que os EUA sejam representados pela primeira-dama, Michelle Obama, que foi a porta-voz oficial do Comitê Olímpico dos EUA no evento que iniciou a contagem regressiva de 100 dias para a abertura dos Jogos. "Não sabemos se ela vai. Só saberemos no dia."

O executivo avaliou que há mais otimismo em relação às Olimpíadas dentro do Brasil do que no exterior. Essa foi uma das razões de sua viagem aos EUA, onde teve uma maratona de entrevistas na segunda-feira. Além da zika, outro tema abordado com frequência por jornalistas, segundo ele, foi a declaração do estado de calamidade pelo governo do Rio e a precariedade da situação financeira do Estado.

"É difícil para nós no Brasil entendermos e eu sei que é ainda mais difícil para a comunidade internacional entender tudo isso, o que está realmente acontecendo, quais são as reais ameaças. Essa é a razão pela qual vim (aos EUA)" , observou Levy. O executivo disse que o ceticismo prévio é uma marca de todas as Olimpíadas, mas reconheceu que no Rio o sentimento atingiu um patamar mais elevado em razão da crise política.

Ainda assim, ele afirmou que dentro do Brasil a expectativa em relação às Olimpíadas é mais positiva do que a existente nos meses que antecederam a Copa do Mundo de 2014. Para ele, uma das razões da diferença foi a construção de "elefantes brancos" que não teriam utilização depois das competições. De acordo com o executivo, isso não ocorrerá nos Jogos do Rio.

O executivo disse que todos os meses são realizadas pesquisas que medem o humor da opinião pública em relação às Olimpíadas. Segundo ele, a aprovação no Rio está em 75%. No restante do país, em 65%.

A principal promessa não realizada dos Jogos será a despoluição da Baía de Guanabara, avaliou Levy. A meta estabelecida em 2009 era tratar 80% do esgoto que é despejado no local, mas o percentual ficou em 50%. "Nós fracassamos", reconheceu.

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