Eugene Hoshiko / AP
Eugene Hoshiko / AP

COI pede respostas mais claras de Tóquio sobre organização da Olimpíada

Ao lado de presidente do Comitê Organizador Local, dirigente de entidade internacional adverte sobre locais de preparação

Estadão Conteúdo

24 Abril 2018 | 10h58

O chefe da comissão de inspeção do Comitê Olímpico Internacional (COI) pediu nesta terça-feira para que os organizadores dos Jogos de Tóquio sejam mais diretos nas respostas aos questionamentos sobre o progresso e o planejamento do evento, agendado para 2020.

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O conselho de John Coates, que se deu após uma visita de inspeção de dois dias, veio semana depois de várias federações esportivas criticarem abertamente os preparativos de Tóquio a dois anos para os Jogos.

O dirigente afirmou que o trabalho está em grande parte no caminho certo, mas declarou que os organizadores hesitaram em explicar completamente o seu planejamento. Coates sugeriu que isso pode ser provocado por diferenças culturais entre seu estilo australiano direto e o japonês mais reservado.

"Você só precisa responder às perguntas e ser franco ao fazê-lo", disse Coates, sentado ao lado do presidente do comitê organizador Yoshiro Mori, um ex-primeiro-ministro japonês e o CEO Toshiro Muto. "Pode não ser da sua natureza, mas eu acho que as perguntas vão aumentar cada vez mais", acrescentou Coates.

Mori foi questionado sobre o conselho que Coates lhe deu em particular. "Houve tantos itens", respondeu. "Alguns conselhos específicos. Eu não acho que tenho condições de destacar um ponto ou dois pontos. Houve muitos pontos."

Não há grande preocupações do COI envolvendo prazos e a eficiência da Olimpíada de Tóquio, mas a avaliação é de quer os organizadores não responderam a questionamentos sobre o evento feitos por federações esportivas e comitês olímpicos nacionais, o que inclui recentes dúvidas explicitadas por dirigentes da vela, do judô e do triatlo.

Coates alertou que os organizadores deverão ser "bombardeados" por questões quando os 206 comitês olímpicos nacionais se encontrarem em novembro em Tóquio. "Eles vão querer saber sobre as preparações para seus atletas. Agora estamos lidando com todas as pequenas coisas, aquelas pequenas coisas que podem aumentar".

Mori também admitiu preocupação com a possibilidade de receber uma delegação da Coreia do Norte na Olimpíada de Tóquio, citando o caso de cidadãos japoneses sequestrados pelo país asiático há anos e que nunca retornaram. "O Japão está perto da península coreana, somos vizinhos, e estamos vivendo sob a ameaça de armas nucleares. Nós vivemos em uma difícil situação". Ele disse que o Japão havia sido "traído" antes pela Coreia do Norte. "Aconteceu em tempos de paz. Cidadãos japoneses foram sequestrados", afirmou.

Coates disse que o Japão é obrigado, sob as regras olímpicas, a aceitar a presença de uma delegação norte-coreana nos Jogos de Tóquio. "Isso não quer dizer que um governo anfitrião não tenha controle sobre quem convida em termos de líderes políticos e pessoas de fora da delegação (esportiva)", comentou.

Os organizadores da Olimpíada de Tóquio declararam que os Jogos custarão 1,35 trilhão de ienes (cerca de R$ 42,9 bilhões). Além disso, o governo municipal de Tóquio disse que vai gastar adicionais 810 bilhões de ienes (R$ 26 bilhões). Esse valor é para projetos descritos como sendo "direta e indiretamente relacionados com os Jogos" e leva o orçamento do evento para US$ 20 bilhões (R$ 69 bilhões). Recursos públicos são responsáveis por 70% desses investimentos.

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