Franck Robichon/ EFE
Olimpíada está programada para acontecer entre os dias 24 de julho e 9 de agosto Franck Robichon/ EFE

COI repensa classificações olímpicas, rejeita data limite e vê Japão pronto para os Jogos

Comitê trabalha com a manutenção da programação, mas vozes importantes do movimento olímpico falam que maio será decisivo

Paulo Favero, Raphael Ramos, O Estado de S.Paulo

17 de março de 2020 | 10h00

Ninguém sabe precisar qual é a data limite para adiar ou cancelar os Jogos de Tóquio, mas vozes importantes do movimento olímpico têm falado que maio será um mês decisivo. No momento, o Comitê Olímpico Internacional (COI) vem trabalhando com a manutenção da programação e admite apenas a possibilidade de adotar regras de classificação mais flexíveis para compensar os cancelamentos de eventos classificatórias e adiamentos de torneios pré-olímpicos.

Se já existe uma pressão internacional para que o evento seja adiado, o que pesa a favor do Japão é que toda a parte de infraestrutura está praticamente pronta. As arenas foram construídas com um prazo grande de folga. O Centro Aquático é a única instalação que ainda não foi usada. O País já tem as medalhas confeccionadas, mas adiou o treinamento de voluntários (garante que ainda há tempo para isso).

O maior foco do Comitê Organizador é blindar o país do coronavírus para não correr risco de que exista uma mudança de data para a Olimpíada. A equação não é tão simples, pois se o Japão já passou pelo pior momento do crescimento exponencial de casos da doença, o mesmo não se pode dizer sobre os países da Europa e os Estados Unidos, entre outros.

John Coates, coordenador da comissão para os Jogos de Tóquio e membro do COI, garantiu que não existe o prazo do mês de maio como um marco para definir se teremos ou não Olimpíada na data programada. "Estamos procedendo para começar no dia 24 de julho", disse em entrevista ao Sydney Morning Herald, da Austrália. O discurso contrasta com o de Dick Pound, outro membro do COI, que tinha dado maior como deadline.

Na lógica dos eventos esportivos, as competições, em linhas gerais, estão sendo canceladas ou adiadas com um ou dois meses de antecedência. Isso leva a crer que dificilmente o COI tomará uma atitude agora para um evento que será no final de julho, a menos que exista fatos novos no horizonte. "Temos ainda quatro meses pela frente", comentou Coates.

O fato de a Organização Mundial de Saúde (OMS) ter decretado alerta de pandemia para o coronavírus coloca o COI e o Comitê Organizador em uma situação delicada para manter a data programada se essa situação não mudar. Até por isso, Denis Masseglia, presidente do Comitê Olímpico Francês, disse que o pico da doença tem de estar abaixo do pico no final de maio para que o evento seja realizado na data.

"Minha sensação é de que se ainda estivermos em crise ao final de maio, eu não vejo como os Jogos poderão ocorrer. Se a situação melhorar, a questão a se resolver será sobre os sistemas de classificação das modalidades, mas aí poderemos encontrar as soluções menos piores", comentou em entrevista à Reuters.

Esta semana o COI vai discutir com diversas federações internacionais as mudanças nos processos de classificação para Tóquio. São poucas as modalidades que já têm suas disputas encerradas e muitas ainda precisam apontar todos os atletas ou equipes que estarão em Tóquio. Segundo Kit McConnell, diretor de esportes do COI, a definição dos nomes precisa ocorrer até 30 de junho.

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Queda da produção industrial na China vira dor de cabeça para os Jogos de Tóquio

Fabricação de itens como material esportivo, placas de sinalização e uniformes de equipes pode sofrer atrasos

Paulo Favero e Raphael Ramos, O Estado de S.Paulo

17 de março de 2020 | 10h01

Os impactos do coronavírus na economia chinesa se transformaram em dor de cabeça para os organizadores e as delegações participantes dos Jogos de Tóquio. Como a produção industrial da China despencou 13,5% nos dois primeiros meses do ano (período do auge de disseminação do vírus no país) em relação ao mesmo período do ano anterior, o temor é de que, mesmo com os sinais de retomada vindos dos asiáticos, a entrega de itens como material esportivo, placas de sinalização e uniformes de equipes seja afetada e possa sofrer atrasos.

O Comitê Olímpico do Brasil (COB), por exemplo, tem contrato com a marca chinesa Peak. A entidade garante que a fabricação do material esportivo está em produção e dentro do cronograma. Quando estiverem prontos, eles irão direto da China para o Japão. Mas essa paralisação de muitas fábricas na Ásia pode afetar gigantes do esporte como Nike e Adidas, que fornecem materiais, bolas, equipamentos e uniformes para muitas modalidades.

Procurada, a Adidas preferiu não comentar o assunto. Já a Nike não respondeu aos questionamentos até a publicação desta matéria. A empresa divulgou recentemente um comunicado explicando que suas lojas nos Estados Unidos, Canadá, Europa ocidental, Austrália e Nova Zelândia estão fechadas para evitar que o coronavírus se espalhe ainda mais. Já as bases no Japão, Coreia do Sul, muitos lugares da China e Brasil estão abertas.

As duas marcas esportivas já lançaram seus principais produtos para os Jogos Olímpicos e apostam na eficiência chinesa para ter o material pronto para estar em Tóquio. Mas a queda industrial na China causou apreensão para que a organização dos Jogos de Tóquio possa ser exemplar, como os japoneses esperam.

Em nota ao Estado, o Comitê Organizador dos Jogos negou atraso no recebimento de materiais. "Nenhum fornecedor nos informou quaisquer atrasos ou problemas. Os preparativos para os Jogos continuam como planejado. Continuaremos a monitorar cuidadosamente a situação e também permaneceremos em estreita colaboração com todas as organizações relevantes."

Nesta terça-feira, haverá uma teleconferência do Comitê Executivo do COI (Comitê Olímpico Internacional) para preparar a agenda para outras chamadas que vão ocorrer no mesmo dia com presidentes das federações esportivas internacionais e no dia seguinte, quarta-feira, com comitês olímpicos nacionais e representantes dos atletas. Desde que o coronavírus começou a afetar os eventos esportivos, a entidade tem feito essas teleconferências para aumentar a frequência de troca de informações e resolver problemas. Segundo o COI, esse é um dos principais desafios do momento.

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