Com a missão de ganhar

Os interessados são selecionados por meio de um edital público e ingressam no Programa Olímpíco

Roberto Godoy, O Estado de S. Paulo

20 Agosto 2016 | 03h00

Os atletas militares, quase todos no posto de 3.º sargento, suboficiais, não são combatentes e não cumprem deveres específicos dos quadros das Forças – Exército, Marinha, Aeronáutica –, embora vistam farda, cumpram horários e tenham passado pelos ciclos de 45 dias de habilitação do pessoal. Precisam ter o segundo grau escolar. E a capacidade para cumprir a missão: ganhar medalhas, desenvolver padrões esportivos. “Se alguma coisa desse conhecimento puder ser aproveitado na qualificação da tropa, tanto melhor – mas o objetivo não é esse”, disse ao Estado um oficial da reserva ligado ao setor de medicina esportiva.

A Defesa utiliza o programa em seu marketing? Sim. E faz isso com grande competência, destacando o envolvimento da instituição com as expectativas do País. Os interessados são selecionados por meio de um edital público e ingressam no Programa Olímpíco. A 3.º sargento da Marinha Rafaela Silva, ganhadora da medalha de ouro na categoria até 57 kg do judô, candidatou-se ao projeto em 2014. No Centro de Educação Física, encarou as provas de resistência física, sobrevivência, condicionamento, tiro com fuzil e pistola. Nos exercícios de luta, teve “uma certa facilidade”, dizem seus companheiros do Cefan. A judoca de 24 anos é uma contratada temporária da Marinha, com claros objetivos a serem atingidos no aperfeiçoamento de sua especialidade.

Os suboficiais atletas recebem soldo de cerca de R$ 3 mil. Cada um deles segue a agenda de eventos técnicos fixada pela entidade máxima que rege a modalidade esportiva. Geralmente, é essa organização que indica os locais e as rotinas dos treinamentos diários, que costumam ser realizados em dois turnos. Como Rafaela, na Marinha, o grupo pode usar instalações e recursos das Forças Armadas para práticas físicas e táticas, com amplo suporte na área da saúde. Não, nenhum deles é obrigado a prestar continência quando está no pódio. Mas, quando o cumprimento é feito, o comando gosta.

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