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Demétrio Vecchioli, O Estado de S.Paulo

13 Agosto 2016 | 05h00

O boxe está disposto a ser o carro-chefe de medalhas da delegação brasileira nos Jogos do Rio. Ontem, foi garantido o primeiro pódio na modalidade, com Robson Conceição, que avançou à semifinal da categoria leve (até 60g) ao vencer Hurshid Tojibaev, do Usbequistão, por decisão unânime dos árbitros. Como no boxe um atleta derrotado não volta ao ringue, dois bronzes são distribuídos e os semifinalistas garantem medalha.

A partir de agora, é brigar para que a medalha seja dourada. “Tenho certeza de que posso chegar muito longe. Domingo é partir para cima desse cubano para mudar a cor da medalha”, avisou Robson, que às 12h30 de amanhã encara o velho conhecido Lazaro Jorge Álvarez, cubano tricampeão mundial e ouro nos Jogos Pan-Americanos de Toronto, no ano passado.

Os dois já se enfrentaram na decisão do Mundial de 2013, quando o cubano levou a melhor, e na final do Campeonato Continental de 2015, quando quem ganhou foi o brasileiro.

Por resultados como esses, Robson chegou à Olimpíada do Rio como a principal aposta de medalha do boxe brasileiro. Aos 27 anos, o baiano está em sua terceira e última participação. Ele já avisou que vai migrar para o boxe profissional após o Rio-2016.

Diferentemente de outros boxeadores, Robson rejeitou a ideia de se profissionalizar antes de competir uma Olimpíada em casa e acabou premiado. Com uma medalha no peito, deverá começar sua escalada profissional já pulando alguns degraus.

Ele sabia como poucos que competir uma Olimpíada em casa faz diferença, principalmente no boxe, em que a avaliação subjetiva dos juízes tende a ser influenciada pela reação da torcida. Em 2008, em Pequim, Robson perdeu na estreia para Li Yang, da China. Quatro anos depois, em Londres, para o britânico Josh Taylor. Agora, é a vez de ser o dono da casa.

“Agradeço o apoio da torcida, que está chegando junto, está torcendo, gritando. Dá essa energia positiva que está fazendo grande diferença”.

Hurshid Tojibaev, do Usbequistão, é o dono do cinturão APB, a liga semi-profissional da Associação Internacional de Boxe (AIBA). Mas Robson tomou a iniciativa, dominou o ringue e venceu o primeiro round no entender dos três juízes. O rival não conseguia encontrá-lo.

No segundo assalto, o usbeque foi mais agressivo, mas levou duros golpes no contra-ataque. A vitória também no segundo round, definida pelos árbitros, deixou o brasileiro com a medalha na mão. Só não poderia ser nocauteado. O baiano não quis saber de controlar o resultado. Castigou Tojibaev também no último round.

A campanha de Robson no Rio confirma a retomada do boxe amador brasileiro, que desde 2010 vem conquistando medalhas em Mundiais e Olimpíadas. Robson é mais um pupilo de Luiz Dórea, que esteve em seu córner no duelo desta tarde. O treinador trabalhou, entre outros, com o ex-campeão mundial Acelino ‘Popó’ Freitas, com o campeão mundial amador Everton Lopes, e com Adriana Araújo, bronze em Londres.

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Conceição vai da infância pobre em Salvador ao pódio nos Jogos Rio-2016

Ele treina na mesma academia por onde passou Popó

HELIANA FRAZÃO, ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

13 Agosto 2016 | 05h00

Força, Foco e Fé são o lema do boxeador baiano Robson Conceição, de 27 anos, conforme exibe em sua página no Facebook. Robson é de Salvador, um dos maiores celeiros de boxeadores do Brasil e treina na mesma academia por onde passou Acelino “Popó” Freitas.

Como Popó, ele também é de origem muito humilde, morador do bairro simples de São Caetano, na capital baiana, e chegou ao boxe aos 12 anos, quando foi levado por um amigo à academia de Jorge Dórea. Segundo o treinador o pupilo é um “menino de ouro”, que sempre se mostrou determinado a vencer nos ringues e na vida.

O treinador lembra que ao chegar a academia 15 anos atrás, Robson, que já vendeu picolé nas ruas para ajudar os pais a manter a família, era brigão e muito agitado, como tantos outros da periferia, mas, destemido, se adaptou facilmente.

 

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