Miriam Jeske/CPB
Miriam Jeske/CPB

Com chance de ouro, Bruna Alexandre pode realizar feito histórico para o tênis de mesa brasileiro

A mesa-tenista disputa a final paralímpica classe 10, na manhã desta segunda-feira, 30, às 6h45 (de Brasília) contra australiana Qian Yang

Por Caio Possati, Especial para o Estadão

29 de agosto de 2021 | 19h08

Só de entrar no Ginásio Metropolitano de Tóquio para disputar a final do tênis de mesa pela classe 10 contra a australiana Qian Yang, às 6h45 (de Brasília) desta segunda-feira, 30, Bruna Alexandre já vai fazer história. Independente do resultado, a brasileira é a primeira mulher a chegar em uma decisão paralímpica na história do tênis de mesa nacional. Se vencer, será o primeiro ouro do Brasil na modalidade em jogos paralímpicos.

A tarefa, porém, não será fácil. A brasileira vai enfrentar uma adversária confiante, que conseguiu o incrível feito de derrotar, na semifinal, a polonesa Natalia Partyka, tetracampeã paralímpica e soberana da modalidade — conquistou o ouro em todas as edições dos jogos, desde Atenas em 2004. Para chegar à final, Bruna derrotou, de virada, a mesa-tenista Tien Shiau Wen, de Taipei, por 3 a 1. E antes disso, bateu a australiana Melissa Tapper, número 2 do Ranking Mundial, com folgados 3 a 0.

Bruna já havia atingido uma marca importante em 2016. Na Paralimpíada do Rio de Janeiro, a mesa-tenista, natural de Criciúma, Santa Catarina, se tornou a primeira mulher brasileira a conquistar uma medalha paralímpica na modalidade. Agora com 26 anos e mais experiente — os Jogos de Tóquio são a sua terceira Paralimpíada — Bruna demonstra que avançou esportivamente ao garantir o segundo lugar mais alto do pódio.

“Essa conquista não é só minha. É de todo mundo que me ajudou a chegar até aqui. Agora é descansar e chegar preparada para essa final”, comentou a mesa-tenista, que disputa a competição pela classe 10, destinada para atletas andantes — quanto maior o número da classe, menor é o comprometimento físico-motor do atleta.

Bruna começou a jogar tênis de mesa aos 12 anos, e não demorou para começar a competir. Mesmo sem o braço direito, amputado aos seis meses de vida por conta de uma trombose que ela adquiriu depois de uma injeção mal aplicada, ela disputava torneios de tênis de mesa convencional. Em 2009, participou da sua primeira competição paralímpica internacional, em Brasília.

A partir dali, Bruna só cresceu. Aos 17 anos, ela já integrava a equipe brasileira que foi a Londres para os jogos paralímpicos de 2012, onde não conseguiu subir ao pódio. Dois anos mais tarde, em 2014, conseguiu medalha de bronze no Mundial da China. Depois de sair com duas medalhas de bronze na Rio-2016, Bruna não se dedicou a aprimorar somente a parte técnica do seu jogo. Na época, a mesa-tenista já tratava a perda de peso como um dos focos da sua carreira, e conseguiu perder 20 quilos antes de chegar a Tóquio.

Com a prata garantida, Bruna, reconhecida pelo talento e por ser mentalmente diferenciada, ainda terá anos de trajetória na modalidade para assinar o seu nome, com ainda mais força, na história do tênis de mesa brasileiro. 

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.