Com choro aberto, chineses derrubam imagem de frieza

O técnico do barreirista Liu Xiangchorou incontrolavelmente depois que o herói nacional abandonouos 110m com barreiras. Os espectadores choraram junto. Quatro remadoras caíram no pranto em seu barco depois deganhar para a China a primeira medalha de ouro do remo.Dominadas por pura emoção, elas não sabiam se riam, ou sechoravam. Na dúvida, fizeram os dois desbravadamente. A atiradora chinesa Du Li, com o peso de uma nação sobreseus ombros, se desfez em lágrimas ao falhar na conquista daesperada primeira medalha de ouro da China nos Jogos, com 1,3bilhão de pessoas contando com ela. Na Olimpíada, os chineses estão, certamente, gastando oslenços de tanto secar as lágrimas. "Há uma imagem no Ocidente de que os esportistas chinesessão como máquinas, sem emoções. Isso mudou totalmente", disseKaiser Kuo, colunista em uma revista de Pequim que assistiu àtransformação da psique chinesa bem diante dos olhos do mundo. "No Ocidente existe a concepção errada de que os chinesessão capazes apenas de demonstrar um nacionalismo estridente. Amudança tem dado uma face humana aos atletas", disse esteobservador de longa data da rápida mudança da sociedade. A cada quatro anos os Jogos Olímpicos abrem uma janelafascinante frente a alma de uma nação. Em 1984, Los Angeles era toda Hollywood e exuberantenacionalismo. Em 2000, Sydney personificou perfeitamente a extrovertidapaixão daquele povo pelos esportes. Em 2004, gregos orgulhosos deleitaram-se com suacivilização ancestral. Alguns cínicos devem imaginar como os britânicos, famosospor seu comportamento reservado, deverão reagir quando os Jogoschegarem a Londres em 2012. Não é uma nação dada a emoções. Os Jogos de Pequim certamente ajudaram a desmistificar asidéias do Ocidente com relação à China ao passo que o paísocupa seu lugar no mundo com uma economia poderosa e confiante. "O estereótipo do chinês sem emoção não é totalmentepreciso. Não acredito que técnicos façam aquilo com muitafrequência em entrevistas coletivas no Ocidente", disse SusanBrownell, pesquisadora do Centro de Estudos Olímpicos daUniversidade do Esporte de Pequim. Brownell, que visitou a China pela primeira vez em 1980, éautora de "Jogos de Pequim: O que a Olimpíada significa para aChina", está fascinada por toda essa emoção pura e o que issotem feito para mudar a visão que o mundo tem da China. A célebre antropóloga, que discutia o assunto em umprograma na TV chinesa, disse: "Não é incomum ver os chinesesexpressarem suas emoções tão abertamente. Quando Pequim ganhoua candidatura para sediar os Jogos, as pessoas choravamincontrolavelmente." Visitando os locais das disputas, ela ficou intrigada aover torcedores americanos e australianos liderando a festa porseus atletas e chamando os chineses para se juntar a eles. "Não existe aquele nacionalismo feio que as pessoasesperavam na China", disse ela.

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