Com Joanna, natação feminina do Brasil ganha força para Pequim

A natação feminina do Brasilclassificou até o momento cinco atletas em provas individuaispara os Jogos Olímpicos de Pequim, e com a obtenção do índicepor Joanna Maranhão recuperou parte do prestígio perdido com ocaso de doping de sua ex-estrela, a velocista Rebeca Gusmão. Flávia Delaroli, Fabíola Molina, Daynara de Paula,Gabriella Silva, além de Joanna -- superam as três atletas queforam à Olimpíada de Atenas, em 2004, por índices em provasindividuais. Como ainda busca classificação nos revezamentos 4x100mlivre, 4x100m medley e 4x200m livre, o país pode quebrar orecorde de participação feminina em Olimpíadas, superando asoito nadadoras que foram à Grécia. "Desde que o ínidice A da Fina (federação internacional)foi adotado em 2000, houve uma melhora técnica muito grande.Nós podemos afirmar que pelos índices individuais jáalcançados, o nível de qualidade dessa seleção brasileirateoricamente é o melhor", disse o supervisor técnico de nataçãoda Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA),Ricardo de Moura. "Numa Olimpíada, a quantidade hoje é relativa, oimportante, e a tendência que vai seguir o mundo, é aqualidade. Se você não tiver o mínimo de qualidade, você ficafora das semifinais e finais", acrescentou. O Brasil tinha conseguido índice nos dois revezamentosestilo livre durante o Pan-Americano do Rio de Janeiro, no anopassado, mas os resultados foram impugnados pela FederaçãoInternacional de Natação porque Rebeca Gusmão fazia parte dasequipes. Sem Rebeca, que envolveu-se num escândalo de doping durantea competição de 2007, os olhos da natação brasileira se voltamnovamente para Joanna Maranhão, quinta colocada nos Jogos deAtenas e que garantiu sua vaga em Pequim na última chance, noTroféu Maria Lenk desta semana. Aos 17 anos, a nadadora maranhense conseguiu o melhorresultado da natação feminina do Brasil numa Olimpíada emdécadas ao terminar em 5o nos 400m medley na Grécia, mas umasérie de problemas pessoais --incluindo a confissão de um casode abuso sexual de seu técnico na infância-- colocaram em riscosua participação em Pequim. Com a vaga assegurada na quarta-feira, Joanna pode agora seconcentrar apenas em voltar a uma final olímpica. "Sei que sou capaz de voltar a nadar o meu melhor tempo, oque eu preciso agora é me focar no treinamento e melhorar aparte técnica no nado de peito e na virada de costas", disse àReuters Joanna, que tem como recorde pessoal 4min40s00, emAtenas, e que garantiu a vaga em Pequim ao nadar 4min44s66 noMaria Lenk. "Quatro segundos na minha prova não é muito. Meu pensamentoé repetir a final olímpica, não posso querer menos do que eu jáconquistei", acrescentou a nadadora, que desde 2006 tomamedicamento anti-depressivo como resultado de uma terapiainiciada após uma queda brusca no rendimento da atleta. Com a volta de Joanna à equipe olímpica do Brasil, opresidente da CBDA, Coaracy Nunes, garantiu que a atletareceberá apoio total da confederação, incluindo patrocínio etreinamentos no exterior. Joanna e Coaracy se desentenderam nopassado, quando a CBDA decidiu cortar o apoio a nadadora pelafalta de bons resultados. "Agora ela é atleta olímpica de novo. Todos os problemasque eu tive com a Joanna são coisa do passado. Ela terá todo onosso apoio", afirmou o dirigente.

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