Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

Com novas regras, atletas paralímpicos de arremesso ganham bancos sob medida

Equipamentos foram desenvolvidos pelo Instituto Nacional de Tecnologia

Gustavo Zucchi - ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S. Paulo

31 Agosto 2016 | 10h00

Na Paralímpiada do Rio, houve mudanças nas provas de arremesso. Visando nivelar os atletas com diferentes tipos de deficiências, as regras para os assentos utilizados pelos competidores mudaram e ganharam restrições. Para superar mais essa barreira, Rosinha Santos, bicampeã paralímpica e representante brasileira na modalidade, irá utilizar um equipamento feito sob medida para seu corpo, desenvolvidos pelo Instituto Nacional de Tecnologia (INT).

O projeto, com apoio da Faperj, e coordenação da pesquisadora Andrea Deslandres e do professor do Instituto de Educação Física e Desportos, ambos da UERJ, reuniu especialistas de dois laboratórios do INT, o de Ergonomia (Lamor) e o de modelos Tridimensionais (Lamot). O resultado foi um aparelho que deve melhorar a performance respeitando as regras: com 75cm de altura, uma pedaleira para apoiar o pé e amarras que impeçam o atleta de sair do banco.

"Por ser um esporte de arremesso, você tem de ter impulso dado pelo atleta. Para ter impulso você tem de ter algo chamado rigidez. O atleta não pode perder nada, o banco não pode absorver nada da força do atleta. Nós desenvolvemos então um banco de alumínio, em que as soldas e as estruturas do banco foram feitas para garantir a máxima rigidez. O atleta não perde nada desse modo. Quando ele faz o empurrão, o banco devolve tudo para ele arremessar", explica a pesquisadora do INT, Carla Patrícia, que participou da criação do projeto.

Todas essas mudanças foram feitas para "anular" a parte inferior dos atletas independentemente da deficiência. Assim, apenas a força dos membros superiores é utilizada no lançamento. "Individualizamos o processo, respeitando as regras. Quando você tem atletas de alta performance, mais especificamente um paralímpico, com diferentes graus de biotipo, diferentes tipos de deficiência, quanto mais individualizados, mais você vai aprender a melhorar. Tem de respeitar a deficiência, senão você pode causar um desconforto ou até mesmo uma lesão", explica Patrícia.

A individualização foi feita com ajuda de um escâner 3D, laser de corpo inteiro e sensores para a captura de movimento. Além de Rosinha, outros quatro atletas tiveram bancos desenvolvidos nesse sistema, mas não conseguiram classificação para a Paralimpíaida. São eles: Vanderson Silva, Julyana Cristina da Silva, Márcio Lucas da Paz e Rafael Amorim Coury.

 

Mais conteúdo sobre:
Paralimpíada RIo 2016

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.