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Com objetivos distintos, atletas treinam duro a 500 dias da Olimpíada

Rafaela Silva busca o pódio. Jade quer a redenção na ginástica. Fabiana e Lohaynny, do badminton, sonham em participar

Ronald Lincoln Jr. e Silvio Barsetti, O Estado de S. Paulo

24 Março 2015 | 00h01

A ansiedade e a aplicação são idênticas. Os objetivos, porém, parecem distantes. A judoca Rafaela Silva, a ginasta Jade Barbosa e as atletas de badminton, Fabiana Silva e Lohaynny Vicente, ouvidas pelo Estado, chegam aos 500 dias dos Jogos Olímpicos com uma agenda repleta de treinos, torneios e esperança. Rafaela é favorita ao pódio na sua categoria (57 kg), enquanto Jade trabalha com afinco para surpreender o mundo e ganhar uma medalha em 2016.

Atletas de um esporte de pouca visibilidade no Brasil, Fabiana e Lohaynny ainda têm um ano pela frente para tentar garantir, em maio de 2016, presença na Olimpíada. As duas lideram o ranking nacional, treinam seis horas por dia e caminham passo a passo para representar o Brasil nos Jogos Olímpicos. Mas não gostam de falar muito do ano que vem. Antes, participarão de vários torneios internacionais, incluindo a disputa do Pan-Americano de Toronto, em julho. “Trabalhamos por etapas. Não adianta ficar pensando muito em 2016 se a gente tem uma série de compromissos nos próximos meses”, diz Fabiana, a líder do ranking.

Hoje, as duas são favoritas nessa disputa que vai contemplar apenas uma delas. Para o simples feminino de badminton, o Brasil só vai ter direito a uma vaga. Podem, no entanto, se esbarrar no Rio 2016 competindo em duplas - cada uma tem outra parceira.

“Nosso técnico (Marcos Vasconcellos, de Portugal) está conosco há dois anos. Nesse período, o badminton do Brasil cresceu bastante. Temos condições de treino, de intercâmbio. Sabemos que não há chance de medalha na Olimpíada do Rio, mas lutamos pelo pódio no Pan”, analisa Lohaynny.

Elas treinam em Campinas com a seleção brasileira. São cariocas e vivem do bolsa-atleta e da remuneração do Paulistano, clube da cidade. Fabiana ainda tem um soldo a mais, pois é terceiro sargento do Exército desde maio de 2014, agraciada com o convênio do Ministério do Esporte com as Forças Armadas.


SEM IMBRÓGLIO

Em 2012, Jade vivia ótima fase e era esperança de medalha da ginástica brasileira nos Jogos de Londres. Mas por causa de um imbróglio com a Confederação Brasileira de Ginástica (CBG), em razão da falta de acordo sobre patrocínio, a atleta abdicou de participar de sua segunda Olimpíada - ela estreou na China, em 2008.

Mais madura, aos 23 anos, a ginasta quer recuperar o tempo perdido na seleção brasileira. Primeiro, ela vai precisar se tratar completamente de uma contusão no joelho esquerdo, que a tirou das competições por cerca de oito meses.

Embora tenha chances de se classificar individualmente na categoria de salto, Jade ressaltou os esforços da seleção brasileira, repleta de jovens promessas, para conquistar a vaga por equipes e, talvez, a primeira medalha olímpica. Para isso, as meninas vão precisar ir bem no Mundial marcado para outubro, em Glasgow, na Escócia - as oito melhores seleções estarão na Olimpíada.

“A ginástica feminina brasileira está merecendo uma medalha há muito tempo. Mas, agora, o nosso foco é levar a equipe para a Olimpíada do Rio. Esse Mundial é importante por isso. Não queremos só um resultado individual, queremos para a equipe”, considera Jade.

Em seu clube, o Flamengo, Jade trabalhava apenas por três dias na semana. Mas a seleção brasileira recebeu no início de janeiro um grande reforço, um centro de treinamento novo situado ao lado das construções do Parque Olímpico.

Sob orientação dos técnicos da seleção e do Flamengo, Jade treina no novo local por cerca de sete horas diárias. Além disso, faz musculação, fisioterapia e participa de sessões com nutricionista e psicóloga. Os treinamentos ocorrem de segunda à sábado e, por vezes, a folga de domingo é abolida. Desde janeiro, ela mora com as demais integrantes da seleção em um apartamento próximo ao CT para que possa manter a concentração.

CHANCE ALTA

Internamente, a Confederação Brasileira de Judô (CBJ) considera alta a chance de Rafaela Silva conquistar uma medalha nos Jogos do Rio. Hoje, ela é a terceira colocada do ranking de sua categoria (57 kg). Seu melhor resultado na carreira foi a conquista do Mundial do Rio, em 2013, obtida quando Rafaela não vivia sequer uma rotina de “atleta profissional”, como revelou em conversa com o Estado após um treino em seu clube, o Instituto Reação, criado pelo ex-judoca Flávio Canto.

“Antes de chegar a Londres, como uma das favoritas a ganhar medalha, eu era a sexta do ranking e fui prata no Mundial de Paris (2011). Mas eu não treinava como uma atleta profissional. Não fazia a parte física, treinava só duas ou três vezes por semana”, conta. Em Londres, Rafaela foi desclassificada nas oitavas, por causa de um golpe proibido. A redenção veio no Mundial de 2013, mas, na edição de 2014, foi apenas a quinta colocada. “Então conseguiram botar na minha cabeça que treinar é importante”, afirma sorrindo.

Em janeiro, a CBJ deu início a um cronograma duro de treinamentos para Rafaela, enfatizando a preparação física e a técnica de chão, pontos em que a atleta é mais deficiente. Por três vezes na semana, ela faz academia. De segunda à sexta, participa das atividades do Reação. Além disso, às terças aperfeiçoa a parte técnica individualmente com a professora japonesa Yuko Nakano.

A 500 dias dos Jogos, Rafaela garante que está mais comprometida com a preparação. Sob orientação da CBJ, ela vai disputar menos competições neste ano com a finalidade de ter um efeito surpresa na Olimpíada. “Em 2012, tinha chance de medalha sem treinar. Agora, com treino, espero chegar melhor em 2016 para ganhar uma medalha em casa.”

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