Com prefeita contra candidatura, Bach diz que só está em Roma para 'ouvir'

A escolha da cidade dos Jogos de 2024 será feita em setembro de 2017

Estadão Conteúdo

05 Outubro 2016 | 16h11

Em Roma para uma convenção no Vaticano, o presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Thomas Bach, tirou o corpo fora da briga política que circunda a candidatura de Roma a receber os Jogos Olímpicos de 2024. Na semana passada, a Câmara Municipal respaldou a decisão da prefeita Virginia Raggi de vetar o pleito. A escolha será feita em setembro de 2017, apenas.

Bach contou nesta quarta-feira que está sendo informado da situação pelo presidente do Comitê Olímpico da Itália, Giovanni Malago, mas que não se envolve. "Isso não cabe a mim. Eu recebi essa informação sobre a situação política na Itália e estou aqui para ouvir", afirmou.

Em tom descontraído, tentando não demonstrar preocupação e jogando o fracasso da candidatura nas picuinhas internas da Itália, Bach ainda disse: "Vocês (jornalistas) ainda podem imaginar que essa foi uma conversa muito interessante, porque a polícia na Itália é um tópico muito interessante. Então eu aprendi muito ontem (terça)".

Oficialmente, Roma ainda não está fora da disputa pela Olimpíada de 2024. O pleito é sustentado pelo primeiro-ministro Matteo Renzi, que aposta que a candidatura pode renascer se a administração de Riggi, líder do movimento anti-establishment 5 Estrelas, fracassar nos próximos meses.

A prefeita, que tem tratado a organização de uma Olimpíada em Roma como uma "irresponsabilidade", diante dos custos implicados, também esteve presente à conferência no Vaticano nesta quarta. De acordo com o Bach, os dois não se encontraram.

Sem o apoio da prefeitura, a candidatura não tem nenhuma chance de vitória, até porque o COI exige das cidades escolhidas para organizarem Jogos Olímpicos, que os governos municipal e federal e o comitê olímpico nacional concordem com o evento.

SEGUNDA DESISTÊNCIA EM 4 ANOS

Essa seria a segunda vez em apenas quatro anos que a capital italiana abandonaria uma disputa para ser sede de uma Olimpíada. Em 2012, o então primeiro-ministro italiano, Mario Monti, determinou a retirada da cidade da disputa para sediar os Jogos Olímpicos de 2020 por razões financeiras, assim como acontece agora. Fora da briga a partir de 2012, Roma viu Tóquio ser eleita o palco da próxima Olimpíada.

Eleita prefeita de Roma com 67% dos votos no segundo turno da eleição realizada em junho, Raggi, de apenas 38 anos de idade, derrotou Roberto Giachetti, candidato do Partido Democrático, o mesmo de Renzi.

Antes do veto liderado por Virginia Raggi, a candidatura de Roma aos Jogos de 2024 havia sido aprovada no ano passado pelo ex-prefeito da cidade Ignazio Marino, então com 38 votos favoráveis da Câmara Municipal.

HAMBURGO E BOSTON FORAM OUTRAS

Em 2015, a população de Hamburgo, na Alemanha, rechaçou, por meio de um referendo, que a cidade apresentasse candidatura para a Olimpíada de 2024, enquanto Boston retirou também no ano passado a sua candidatura devido ao baixo apoio de seus cidadãos à realização do grande evento. Essa cidade norte-americana, por sua vez, acabou sendo substituída por Los Angeles nesta corrida pelos Jogos, contra Paris (França), Budapeste (Hungria) e, talvez, Roma.

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