Behrouz MEHRI / AFP
Behrouz MEHRI / AFP

Com preparo de 48 mil refeições por dia, pandemia impõe desafios a cozinheiros da Vila Olímpica

Devido a medidas sanitárias, atletas não poderão frequentar restaurantes nas ruas de Tóquio e toda alimentação será feita no refeitório

AFP, O Estado de S.Paulo

14 de julho de 2021 | 10h00

Se alimentar uma Vila Olímpica é sempre uma missão trabalhosa, realizada por um "exército" de chefs para preparar milhares de refeições para atletas de todo o mundo, nos Jogos Olímpicos de Tóquio, em meio à pandemia de covid-19, o desafio ganha obstáculos adicionais. Devido a medidas sanitárias rígidas, os atletas só podem se deslocar entre as instalações de treinamento e competição. A Vila Olímpica é, portanto, o único lugar onde podem comer e saborear a famosa culinária japonesa.

“É uma grande responsabilidade para nós”, admite Tsutomu Yamane, responsável pelos alimentos do Comitê Organizador Tóquio-2020. “Queremos que provem (comida japonesa), mas é uma grande pressão”, disse.

A Vila Olímpica, com capacidade para 18 mil pessoas, servirá até 48 mil refeições por dia em seus refeitórios e restaurantes, às vezes abertos dia e noite. O maior tem capacidade para 3 mil pessoas, divididas em dois andares.

Para satisfazer os atletas que se hospedam na Vila, haverá cardápios variados e estão divididos em três tipos de cozinha: ocidental (ou "mundial"), japonesa e asiática. Essa última categoria inclui especialidades chinesas, indianas e vietnamitas. Haverá refeições adequadas a todas as religiões e pessoas com restrições alimentares. Pela primeira vez nas Olimpíadas, haverá uma seção de alimentos sem glúten.

Os organizadores decidiram propor uma cozinha básica que ao mesmo tempo mostrasse a riqueza da culinária japonesa, explica Yamane. Os atletas olímpicos também apreciarão pratos de ramen, com molho de soja ou caldo de missô.

Alguns poderão ficar desapontados, pois não encontrarão peixe cru por motivos sanitários. O arroz de sushi só será visto acompanhado de camarão, atum em lata, pepino ou ameixa salgada. A seleção culinária também incluirá pratos locais famosos, como carne de boi japonês, tempuras de vegetais ou frutos do mar, mas também algumas especialidades japonesas ocidentais menos conhecidas, como okonomiyaki, uma espécie de omelete japonesa, ou takoyaki de polvo.

Os atletas também poderão degustar receitas da culinária familiar japonesa, propostas por moradores do país e selecionadas por meio de concurso. Será o caso, por exemplo, de Yoko Nishimura, mãe de 59 anos que, com o adiamento das Olimpíadas de 2020 para 2021, quase se esqueceu de ter participado do concurso. “Quando me contataram para me dizer que havia sido eleita, não pude acreditar”, reconhece ela.

Yoko havia imaginado para o concurso um prato que levasse em conta o calor do verão japonês, com salmão grelhado, frango no vapor, edamame de soja e pasta de ameixa. “Está cheio de coisas que fazem bem ao corpo”, explica. “O salmão está com a pele, cheia de nutrientes como o colágeno, e o edamame é rico em proteínas”, afirma.

Os ingredientes utilizados nas refeições provêm dos 47 departamentos japoneses, incluindo os atingidos pela tripla catástrofe (terremoto, tsunami, acidente nuclear) de 2011 em Fukushima, uma vez que estes Jogos têm sido apresentados como "os da reconstrução". Vários países ainda restringem a importação de produtos alimentícios de Fukushima, mas o Japão garante que eles serão submetidos a controles mais elevados do que o normal e que não terão sinalização especial na Vila Olímpica.

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