Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

Comitê recua e atletas terão ar-condicionado de graça no Rio 2016

Inicialmente ideia era cobrar pelo serviço ou colocar ventiladores

Tariq Panja, Bloomberg

04 de dezembro de 2015 | 18h13

Organizadores dos Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro, voltaram atrás e agora vão providenciar aparelhos de ar-condicionado para os quartos dos 10.500 atletas que participarão da competição, depois de inicialmente ter considerado cobrar pelo serviço como parte do corte de custos, cujo objetivo é reduzir o orçamento, que superou em R$ 2 bilhões (US$ 520 milhões) o valor inicialmente previsto para os jogos.

O comitê local de organização está concluindo uma revisão do orçamento para reduzir custos e garantir que os gastos fiquem em R$ 7,4 bilhões (US$ 2 bilhões), evitando assim, a necessidade de buscar recursos junto ao governo brasileiro, que enfrenta a pior crise econômica dos últimos anos.

“Tento em vista que os jogos de 2016 acontecem durante o inverno no Rio, a exigência de ar-condicionado nos quartos da Vila Olímpica foi uma das decisões cuidadosamente ponderadas”, disse o comitê Rio 2016 em comunicado. “Após revisar o processo, foi decidido que o ar-condicionado será fornecido pelo comitê Rio 2016 e este gasto foi aprovado pelo comitê de compra.”

No início da semana, o grupo havia dito que não considera os aparelhos de ar-condicionado itens essenciais e que eles provavelmente seriam cortados. A agência de notícias Bloomberg divulgou o plano de retirar os aparelhos dos quartos dos atletas na quinta-feira. Comitês Olímpicos de vários países, dentre eles o da Austrália, também receberam a informação de que os atletas receberiam ventiladores no lugar do aparelhos de ar-condicionado. 

“Pode haver atletas que terão de competir em temperaturas altas, mas para todos os esportes temos amplos projetos de recuperação em vigor, como fazemos em todos os jogos”, declarou em comunicado Andrew Reid, porta-voz do Comitê Olímpico Australiano. 

CORTES EM TODOS OS SETORES

O comitê Rio 2016 busca reduzir custos em todos os setores e concluiu que os VIPs que participarem do evento podem fazê-lo sem comidas gourmet ou carros de luxo. O comitê também pretende reduzir 500 das 5 mil vagas remuneradas inicialmente planejadas para a competição. Os maiores cortes devem provavelmente acontecer em áreas operacionais como alimentação, transporte e serviços de limpeza.

A economia local recuou desde que o Rio conquistou o direito de sediar os jogos - os primeiros na América do Sul - seis anos atrás. Naquela época, o governo brasileiro prometeu US$ 700 milhões para cobrir qualquer problema orçamentário. Mas então a economia registrou retração. O desemprego aumentou e a moeda local, o real, perdeu um terço de seu valor em relação ao dólar em apenas um ano.

Os organizadores declaram há tempos que não querem usar recursos públicos para cobrir os custos de organização dos jogos. Eles esperam conseguir fundos com patrocinadores, com a venda de ingressos e com uma subvenção do Comitê Olímpico Internacional (COI). 

Para as centenas de milhões de pessoas que assistirem aos Jogos Olímpicos pela televisão ou pela internet, todos esses cortes de custos serão invisíveis. Os organizadores garantiram aos parceiros de transmissão que não haverá mudanças nos contratos e que não há planos para reduzir as especificações da infraestrutura de competição.

“Não houve ‘corte’ no orçamento global. No momento, estamos passando pelo processo regular de revisar nossos gastos, tomar decisões sensatas e encontrar soluções criativas para garantir a manutenção de um orçamento equilibrado, ao mesmo tempo em que faremos uma Olimpíada única e memorável em 2016”, afirmou o comitê Rio 2016 em comunicado.

(Tradução de Priscila Arone)

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